quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Uma breve História sobre Brasília Teimosa


Bairro conhecido por sua História de resistência e luta por moradia, Brasília Teimosa se localiza na zona sul da Capital Pernambucana, entre o Bairro do Pina e o do Porto do Recife. Área caracterizada por uma linha contínua de arrecifes paralela à orla que surgiu por meio de ocupações em uma área que antes era denominada de Areal Novo que se iniciou em 1947. Pescadores, negociantes estudantes, donas de casa, entre outros eram os habitantes e que têm uma forte ligação com mar.

A expressão "Brasília Teimosa" não está se referindo à Capital Federal, Brasília e sim a um dos Bairros do Recife, Pernambuco. Devido à resistência dos moradores em permanecer no local, o nome surgiu, apesar de várias tentativas de remoção dos moradores do local por parte do Governo Estadual, e que o episódio coincide com o período da construção de Brasília estava sendo planejada e executada. Os moradores, com destaque, os pescadores, se recusaram a deixar a área, devido demolições e vária tentativas de expulsão, por parte do Governo Estadual.

A construção da Capital do Brasil, Brasília, coincide com a ocupação do bairro e a resistência dos moradores em sua comunidade ocorreu uma comparação da teimosia dos moradores. Esse episódio marcante, paralelo ao da resistência dos moradores, foi em 1956, quando cinco pescadores da região foram ao Rio de janeiro, durante a posse de Juscelino Kubitschek, em uma jangada chamando a atenção do governo com relação à situação da comunidade. Então o nome “Brasília Teimosa”, foi uma referência ao projeto de construção da nova Capital do Brasil, Brasília em contraste com a área em que os moradores viviam em contínua ameaça de expulsão com destaque nos anos 1950, quando essa área foi destinada pelo Governo do Estado à construção de depósitos inflamáveis e edifícios luxuosos. Com a persistência dos primeiros moradores que reconstruíram suas casas durantes a noite enquanto ao longo do dia eram demolidas. Daí a ideia de teimosia que coincidiu com o período da Capital Federal.

Sendo uma das primeiras áreas de urbanização da cidade do Recife, Brasília Teimosa tornou-se referência em movimentos de dignidade e luta por moradia.

 

Referências

1.     Fundaj

2.     O Recife sem palafitas

3.     http://www.pnud.org.br/publicacoes/atlas_recife/index.php

4.    https://www.brasildefato.com.br/2020/02/01/brasilia-teimosa-tem-no-seu-nome-a-palavra-que-define-a-resistencia-dos-moradores

Brasil de Fato (Uma Visão popular do Brasil e do Mundo) Por: Monyse Ravenna

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Dia do Estudante - 11 de Agosto

 É comemorado do dia dos estudantes em 11 de agosto. Dia daqueles que se dedicam com empenho e consomem parte de seu tempo aos estudos. Iniciando pelas crianças da educação básica passando pelos adolescentes e jovens do ensino médio e superior até chegar aos últimos graus pesquisadores doutores. Essa data é homenagem a todos eles.

Muitas pessoas comemoram uma data sem saber o real significado. É necessário voltar à História para entendermos as comemorações desse do dia do Estudante. D. Pedro I, em 11 de agosto de 1827, autorizou a criação dos primeiros cursos superiores no Brasil. As Faculdades de Direito de Olinda, em Pernambuco, e do Largo do São Francisco, em São Paulo, foram criadas sendo as pioneiras no ensino superior do país.

O Dia do Advogado ficou sendo comemorado no dia 11 de agosto marcando o início dos cursos superiores e das disciplinas jurídicas no Brasil. Com as comemorações do centenário dessa data, em 1927, o jurista Celso Gand Lev propôs que essa celebração fosse mais  

A comemoração que no Brasil é celebrada no dia 11 de agosto, é uma forma de comemorar o início do ensino superior e das disciplinas jurídicas em solo brasileiro. Em 1927, durante as comemorações do centenário dessa data, o jurista Celso Gand Ley sugeriu que essa celebração tivesse um caráter de maior importância, sendo comemorado também o Dia do Estudante.

No dia 11 de agosto de 1937, com a criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) foi outro episódio que enalteceu ainda mais as comemorações dessa data. A UNE desde a sua criação já participou de várias manifestações populares, como as “Diretas Já” e os “Caras-pintadas”, entre outras, com o objetivo de representar os estudantes de diversas categorias.

Também ligada à classe estudantil, 17 de novembro de 1939 é conhecido como Dia Internacional do Estudante. Essa data marca o episódio cruel da ocupação nazista em 1939, na antiga Tchecoslováquia e que também ocorreram resistências dos estudantes.

Com a invasão nazista na Tchecoslováquia em 28 de outubro 1939, várias manifestações iniciaram. Estudantes da Charles University em Praga iniciaram manifestação marcando o 21º. Aniversário da independência do país. Os alemães reprimiram brutalmente o movimento, onde 15 estudantes ficaram feridos. Baleado durante a manifestação, o estudante de medicina Jan Opletal, morreu em 11 de novembro. O cortejo fúnebre “permitido” em 15 de novembro foi interrompido pela polícia tcheca.

Oito estudantes e um professor foram executados sem julgamento em 17 de novembro de 1939. Até o final da guerra as faculdades ficaram fechadas.

Após dois anos dessas manifestações e assassinatos de estudantes em Praga, em 1941 foi realizado um Conselho Estudantil Internacional com participação de vários estudantes refugiados em Londres, Grã-Bretanha. E então, criaram o Dia Internacional do Estudante em 17 de novembro, com referência à data das execuções.

 

Estudantes no Brasil

Os filhos das famílias nobres do Brasil que desejavam continuar seus estudos tinham que ir para a Europa. Com a criação dos primeiros cursos superiores (Faculdades de Direito) no Brasil, em 11 de agosto de 1827, abriram possibilidades de permanecerem no país. A partir de então, outras instituições de ensino superior foram surgindo tanto pública como particular.

O artigo 26 da Declaração Universal dos Diretos Humanos assegura  a Educação como um direito, sendo que cada governo deve lançar programas que incentivem a permanência na escola e zerar o analfabetismo.

O Plano Nacional de Educação é uma das iniciativas do governo brasileiro que monitorado a cada ano o percentual de alunos matriculados a cada ano na educação básica. Com relação ao ensino superior, tem planos que, além de facilitar a entrada em universidade, o governo concede auxílio para estudantes.

 

Fontes:

https://www.private-prague-guide.com/article/life-during-the-nazi-occupation

Por: Por Tracy A. Burns

 

https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-estudante.htm

Por: Rafael Batista

 

https://www.connectescolas.com.br/blog/dia-internacional-do-estudante-a-importancia-de-lembrar-desta-data

Por: Redação Connect

sábado, 26 de julho de 2025

Sociedades Pré-Colombianas

Sociedades Pré-Colombianas
Estas sociedades abrangem diversas culturas e civilizações que surgiram nas Américas antes da chegada de Cristóvão Colombo em 1492.
Apresentavam características como: 
Sistemas agrícolas avançados,
ü  Estruturas sociais hierárquicas,
ü  Expressões artísticas notáveis e
ü  Sistemas de crenças complexos, incluindo o politeísmo. 
Principais tópicos:
·         Agricultura:
A base da economia era a agricultura. 
Cultivavam: milho, batata, feijão, abóbora, tomate, pimenta, cacau, entre outros. 
Os Incas desenvolveram sistemas de irrigação e terraços para agricultura em terrenos montanhosos.
Os astecas criaram as "chinampas", ilhas artificiais para cultivo. 
 
·         Estrutura social:
As sociedades com hierarquias sociais bem definidas. Nobres, sacerdotes, guerreiros e camponeses formavam as diferentes classes sociais, com mobilidade social limitada. 
·         Religião:
Eram politeístas.
Os deuses frequentemente eram associados a elementos da natureza e à liderança política. 
 ·         Arquitetura e Artes:
As civilizações eram conhecidas por suas impressionantes construções, como as cidades maias, astecas e incas, além de suas manifestações artísticas em cerâmica, escultura e ourivesaria. 
·         Conhecimentos astronômicos:
Muitas dessas sociedades possuíam conhecimento avançado sobre astronomia, com sistemas de calendários complexos, como o calendário maia, e observação dos movimentos celestes. 
·         Sistemas de escrita e registro:
Nem todas as civilizações utilizavam escrita formal.
Algumas desenvolveram sistemas de registro como:
Os hieróglifos maias
Os quipus incas, para registrar informações e dados. 
 ·         Diversidade cultural:
Estas sociedades pré-colombianas eram diversas, com diferentes culturas, línguas e práticas. Apesar de algumas semelhanças, como a agricultura e a religião, cada civilização possuía suas próprias características e particularidades. 
 sceu na Mesoamérica (corresponde ao sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras), período de auge entre os séculos III e X d.C.. Deixou legado nas áreas como: astronomia, matemática, escrita, arquitetura e religião.
 
Principais tópicos sobre os Maias:
 
·         Organização Social e Política:
Sociedade maia era dividida em: uma elite governante, sacerdotes, guerreiros e uma vasta população de agricultores e artesãos. 
Desenvolveram cidades-estado com governos monárquicos hereditários. 
 
·         Economia:
A agricultura, especialmente o cultivo de milho, era a base da economia maia. 
Praticavam o comércio e possuíam técnicas avançadas de manejo de terras e irrigação. 
 
·         Religião:
Eram politeístas,
Complexa cosmologia (complexo estudo do universo)
Rituais com sacrifícios humanos. 
Seus deuses estavam ligados à natureza e aos ciclos cósmicos. 
 
·         Astronomia e Matemática:
Com profundo conhecimento da astronomia desenvolveram:
Calendários precisos e
Cálculos astronômicos notáveis.
Também desenvolveram um sistema numérico com o conceito de zero. 
 
·         Escrita e Arquitetura:
Os maias desenvolveram um sistema de escrita hieroglífica e construíram impressionantes cidades com pirâmides, templos e palácios. 
·         Declínio:
O declínio da civilização maia é atribuído a fatores como mudanças climáticas, guerras entre cidades-estado e esgotamento dos recursos naturais. 
 
·         Legado:
Apesar do declínio, a cultura maia deixou um legado duradouro, com suas tradições, conhecimentos e artefatos influenciando a região e o mundo. 
Outros tópicos relevantes:
 
·         Calendários:
Possuíam dois calendários principais:
Haab (365 dias) e
Tzolkin (260 dias), que se interligavam em ciclos. 
 
·         Escrita:
Ainda em processo de decifração, era um sistema complexo de hieróglifos e caracteres. 
·         Arquitetura:
Caracterizadas por grandes construções em pedra, incluindo pirâmides, templos e palácios. 
 
·         Culinária:
O milho era o alimento mais importante, mas cultivavam o feijão, abóbora e tubérculos na dieta maia. 
·         Artesanato:
Como atividade relevante: Produção de tecidos,
                                        Cerâmica e
                                        Outros objetos de artesanato.
 
Os Astecas
 
Localização no Vale do México.
Sociedade hierárquica.
Religião politeísta com sacrifícios humanos.
Economia baseada na agricultura e comércio
Foram conquistados pelos espanhóis. 
 
Os principais tópicos
 
·         Localização:
Estabeleceram-se no Vale do México, construindo a capital, Tenochtitlán, que hoje é a Cidade do México. 
·         Origem:
Origem dos mexicas. Chegaram ao Vale do México após um presságio divino (sinal ou evento interpretado como mensagem ou premonição divina indicando o futuro. Acreditava-se que os sinais enviados por deuses eram para alertar ou guiar as pessoas).
 Sociedade:
A sociedade asteca era dividida com o imperador no topo, depois a nobreza, homens comuns e, por fim, escravos. 
·         Religião:
Eram politeístas e praticavam sacrifícios humanos para sustentar o sol e manter o universo em funcionamento. 
·         Economia:           
A agricultura, especialmente o cultivo de milho, era a base da economia asteca. Também por um sistema de comércio eficiente e artesanato habilidoso. 
·         Conquista:
O império asteca foi conquistado pelos espanhóis liderados por Hernán Cortés em 1521, o que marcou fim da civilização asteca. 
·         Cultura:
Desenvolveram uma cultura rica com conhecimentos em:
Medicina,
Astronomia,
Matemática,
Uma escrita pictórica (sistema de comunicação de imagem ou desenhos representando ideia, objetos ou conceitos) e
Calendários baseados no ciclo solar. 
Os Incas 
Uma das maiores e mais avançadas civilizações pré-colombianas com um vasto império na América do Sul. 
Cultura rica e complexa se manifestava em diversos aspectos, desde a organização social e política até a arquitetura, religião e arte. 
 
Organização Social e Política:
·         Hierarquia: rigidamente dividida, com o imperador (considerado descendente do deus Sol) no topo, seguido pela nobreza, sacerdotes e, por último, camponeses e trabalhadores. 
·         Imperador: o Sapa Inca detinha poder absoluto e era considerado um líder divino. 
·         Organização administrativa: dividido em quatro regiões, com Cuzco como centro, e cada região tinha seu próprio governador. 
 
Economia:
·         Agricultura:
Desenvolveram técnicas avançadas de agricultura como:
Terraços em áreas montanhosas e
Sistemas de irrigação, cultivando principalmente batata, milho e feijão.
 
·         Trabalho obrigatório:
Sistema de "mita": os cidadãos tinham que trabalhar para o estado, como construção de estradas e edifícios, em troca de proteção e serviços. 
·         Rede de estradas:
Construíram uma extensa rede de estradas, incluindo a famosa Trilha Inca, que ligava partes do império e facilitava o comércio e a comunicação. 
 
Cultura:
·         Religião:
Eram politeístas, adoravam diversos deuses ligados à natureza, como o Sol (Inti), a Lua, a Terra e os rios.
 
·         Arquitetura:
Conhecidos por suas construções em pedra. Eles construíram cidades impressionantes, como Machu Picchu, com engenharia e técnicas de encaixe de pedras precisas. 
 
·         Arte:
A arte incluía cerâmica, tecelagem e ourivesaria, com detalhes e símbolos religiosos, como o sol, a lua e animais sagrados. 
 
·         Língua:
A língua oficial do império era o quíchua e é falada atualmente por milhões de pessoas na região andina (Cordilheiras dos Andes). 
 
·         Costumes:
Importantes na cultura inca os rituais, como o enterro de pessoas com seus pertences, pois, acreditavam na continuidade da vida após a morte. 
 
·         Sistema de registro:
Quipu (sistema de cordas com nós), usado para registrar informações e comunicar mensagens em longas distâncias. 
 
Declínio do Império:
·         Guerras internas:
Império enfraqueceu, devido conflitos internos pelo poder, contribuindo para sua queda.
 
·         Conquista espanhola:
No século XVI, os espanhóis liderados por Francisco Pizarro e a disputa pelo poder enfraqueceram ainda mais o império, levando à sua conquista e colonização. 
Povos originários do Brasil
 
Conhecidos também como povos indígenas. Populações que habitavam o território brasileiro antes da chegada dos europeus. Até hoje, mantêm sua cultura, línguas e modos de vida. Estima-se que existam mais de 300 povos indígenas diferentes no Brasil, com mais de 160 línguas e dialetos falados. 
 
Principais características:
·         Diversidade:
Atualmente existe grande diversidade de povos indígenas, com culturas, línguas e tradições distintas.
 
·         Organização social:
Cada povo indígena com sua própria forma de organização social, com sistemas de parentesco, lideranças e formas de relacionamento com a natureza. 
 
·         Conexão com a natureza:
Uma característica fundamental de sua cultura é a relação com a natureza, com profundo conhecimento sobre a fauna, flora e ecossistemas.
 
·         Territórios:
É essencial a posse da terra e garantida pela Constituição do Brasil, sendo um direito fundamental, para a manutenção de suas culturas e modos de vida.
 
·         Resistência:
Eles enfrentaram, ao longo da história, desafios e lutas para proteger seus direitos, culturas e territórios, e seguem resistindo e mantendo suas tradições. 
 
Principais povos indígenas no Brasil: 
·         Guarani:
Várias regiões do país: conhecidos por sua rica cultura e tradições. 
·         Yanomami:
Região da Amazônia: estados de Amazonas e Roraima, e conhecidos por sua relação com a floresta. 
·         Ticuna:
Também na região da Amazônia, especialmente às margens do rio Solimões. Maior grupo indígena da região. 
 
·         Guajajara:
Habitam o estado do Maranhão e são originários do tronco Tupi. 
 
·         Macuxi:
Estão principalmente em Roraima, pertencem à família linguística Karib. 
 
·         Caingangue:
Nos quatro estados do sul e sudeste do Brasil e pertencem ao tronco da família linguística Macro-Jê. 
 
Importância:
Estes povos têm um papel importante na preservação da biodiversidade e na manutenção do equilíbrio ambiental. 
Como parte integrante da identidade brasileira, suas culturas e tradições devem ser valorizadas e respeitadas. 
 
Desafios:
Os povos indígenas têm uma grande importância, mas enfrentam desafios como: perda de territórios, discriminação, violência e a falta de acesso a direitos básicos. É necessário garantir proteção dos povos indígenas e seus direitos, valorizando suas culturas e construindo um futuro mais justo e igualitário. 
 
 
Fontes:
 https://blog.stoodi.com.br/blog/dicas-de-estudo/materias/historia/povos-pre-colombianos
 https://www.todamateria.com.br/povos-pre-colombianos
 https://mundoeducacao.uol.com.br/historia-america/as-civilizacoes-precolombianas
 https://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/povos-precolombianos
 https://app.planejativo.com/estudar/104/resumo/historia-civilizacoes-pre-colombianas
 https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/desventuras/antes-dos-europeus-o-desenvolvimento-e-habilidades-das-civilizacoes-pre-colombianas
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Mesoamerica
 https://www.historiadomundo.com.br/inca
 https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quais-sao-os-povos-indigenas-mais-numerosos-do-brasil/
 

sábado, 14 de dezembro de 2024

Independência da América Latina

 

Independência da América Latina

 

Independência da América Latina ocorreu ao longo do século XVIII. Pode-se atribuir o processo da independência da América Latina a um novo conjunto de valores e ideais que questionavam o pacto colonial e o autoritarismo das monarquias. O movimento pela independência da América Latina foi impulsionado pelas ideias do Iluminismo, que defendia a liberdade dos povos e a queda de regimes políticos que fomentassem o privilégio de certas classes sociais.

 INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA LATINA

A Independência da América Latina ocorreu ao longo do século XVIII. Pode-se atribuir o processo da independência da América Latina a um novo conjunto de valores e ideais que questionavam o pacto colonial e o autoritarismo das monarquias. O movimento pela independência da América Latina foi impulsionado pelas ideias do Iluminismo, que defendia a liberdade dos povos e a queda de regimes políticos que fomentassem o privilégio de certas classes sociais.

No final do século XVIII, havia grande tensão nas colônias na América Latina. Altos impostos e restrições ao comércio enfureciam os latino-americanos. Influenciados pelas ideias iluministas, muitos latino-americanos desejavam reformas. Inspirados pelas revoluções nos Estados Unidos e na França, os colonos iniciaram suas próprias revoltas.

Uma das maiores queixas dos latino-americanos contra o domínio colonial era a desigualdade social que prevalecia nas colônias. Os espanhóis e portugueses haviam estabelecido um rígido sistema social que favorecia os europeus e prejudicava os nativos.

No topo da escala social estavam os:

Peninsulares – pessoas nascidas na Península Ibérica da Europa, onde Espanha e Portugal estão localizados. Os peninsulares dominavam a vida colonial, possuindo vastos territórios, controlando minas e o comércio e mantendo a grande maioria dos altos cargos no governo, exército e Igreja.

Abaixo dos peninsulares estavam os Crioulos – pessoas de descendência espanhola ou portuguesa que haviam nascido em território americano. Legalmente, os crioulos tinham os mesmos direitos que os peninsulares e normalmente possuíam grandes riquezas. Porém, eles eram considerados socialmente inferiores aos peninsulares e não podiam exercer cargos importantes.

Na escala social, abaixo daqueles de pura descendência européia estavam pessoas de descendências mescladas: mestiços e mulatos. Ambos os grupos eram barrados das mais altas posições na sociedade latino-americana. Contudo, eles mantinham uma grande variedade de cargos, tornando-se soldados, fazendeiros, trabalhadores rurais, advogados e mercantes.

Em último lugar na escala social estavam os indígenas e escravos africanos. A maioria dos membros deste grupo levava uma vida difícil, trabalhando nas minas e plantações. Apesar de constituírem a maioria da população, os indígenas e africanos não exerciam poder ou influência em suas sociedades.

As Primeiras Revoltas


No final do século XVIII, o governo espanhol aumentou os impostos coloniais para reabastecer seus tesouros. Os colonos não aceitaram essa imposição passivamente e se revoltaram contra seus colonizadores. Em 1780, Túpac Amaru, um mestiço descendente dos reis incas, liderou uma rebelião de indígenas no Peru. Os rebeldes exigiam o fim do trabalho forçado e de impostos sobre a venda de produtos. Eles também pediam que indígenas, e não espanhóis, fossem nomeados como seus governadores. Na luta que seguiu, milhares de indígenas foram massacrados pelos espanhóis e suas propriedades foram destruídas. As forças colonizadoras esmagaram a rebelião indígena e assassinaram seus líderes.

Enquanto a violência tomava o Peru, uma revolta contra os colonizadores também ocorreu na Colômbia. Como no Peru, os espanhóis aumentaram os impostos a serem pagos pelos colonos. Como consequência disto, em 1781, camponeses indígenas e mestiços, liderados por crioulos, formaram um exército de 20.000 homens e marcharam na capital da Colômbia, Bogotá. O governo colonizador inicialmente concordou com as exigências dos rebeldes, mas depois voltou atrás em suas promessas e aniquilou o exército dos colonos. Para desencorajar futuras revoltas, a corte espanhola ordenou que o último líder rebelde que ainda estava vivo fosse executado de uma forma terrível. Mas mesmo essa monstruosa punição espanhola não impediu futuros levantes de colonos.

Revolução no Haiti

A primeira revolta bem-sucedida na América Latina não ocorreu contra a Espanha ou Portugal, mas contra a França. A colônia francesa de São Domingos, localizada na ilha de Hispaniola, era uma das mais lucrativas colônias europeias nas Américas. Aproximadamente 400.000 escravos negros trabalhavam nas plantações de açúcar de São Domingos. Por volta de 22.000 mulatos também viviam na colônia; a maioria deles vivia livremente e até possuía terras. Porém, os mulatos eram proibidos de praticar certas profissões, como o direito e medicina.

Um mulato chamado Vicente Ogé estava em Paris quando a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi adotada em 1789. Ao retornar a São Domingos, ele exigiu os mesmos direitos para os mulatos que viviam livres na colônia. Ultrajado com suas exigências, o governo francês torturou-o até a morte.

A execução de Ogé fomentou um grande sentimento de revolta entre os mulatos da colônia. Quando os escravos negros de São Domingos se rebelaram em 1791, os mulatos uniram-se a eles. Liderados por um ex-escravo chamado Pierre Toussaint L’Ouverture, os rebeldes expulsaram os franceses de São Domingos.

Toussaint acabara de estabelecer um novo governo em São Domingos quando Napoleão Bonaparte chegou ao poder na França. O novo imperador francês enviou tropas para retomar a ex-colônia. Porém, as forças francesas perderam muitas batalhas contra os rebeldes e muitos de seus soldados morreram de febre amarela. Em 1804, após 13 anos de guerra, os revolucionários declararam a independência da colônia de São Domingos que foi nomeada de Haiti.

Acontecimentos na Europa também contribuíram para o movimento de independência no norte da América do Sul. Em 1808, Napoleão Bonaparte invadiu a Espanha e levou seu irmão ao trono espanhol. Aproveitando o tumulto na Espanha, os líderes crioulos tomaram controle de diversas cidades sul-americanas. Estas revoltas impulsionaram uma grande revolta contra os colonizadores espanhóis.

O maior líder revolucionário da América Latina foi Simon Bolívar, popularmente conhecido como o “George Washington latino”. Nascido na Venezuela em uma família rica crioula, Bolívar estudou na Espanha. As revoluções norte-americana e francesa inspiraram-no a formar um exército latino-americano para lutar contra os ocupadores espanhóis. Prometendo libertar os escravos da América do Sul quando conquistasse a independência – uma promessa que ele eventualmente manteve – Bolívar obteve o apoio do Haiti em 1816.

A luta de Bolívar contra os espanhóis durou muitos anos. Em 1819, ele liderou milhares de soldados em direção oeste, do vale do Rio Orinoco através dos Andes. Enfrentando um frio muito severo, mais de 100 de seus homens morreram ao atravessar as montanhas. Mas apesar destas dificuldades, as tropas remanescentes de Bolívar derrotaram o exército espanhol num ataque surpresa. Naquele mesmo ano, Bolívar tornou-se presidente da nação independente da Grande Colômbia. Esta nova nação era constituída pelos atuais países do Panamá, Colômbia, Venezuela e Equador.

Enquanto Simon Bolívar libertava a região norte da América do Sul, outro líder crioulo, José de San Martín, liderava um exército ao norte da Argentina. A Argentina estava livre do domínio espanhol desde 1806. Todavia, San Martín acreditava que a América do Sul só permaneceria independente se os espanhóis fossem também expulsos do Chile e Peru.

Em 1817, o exército bem treinado de San Martín cruzou os Andes e capturou Santiago, no Chile. Em 1821, eles tomaram Lima, capital do Peru e centro do poder espanhol na América do Sul. Ainda assim, as forças espanholas no interior permaneceram fortes. No ano seguinte, San Martín encontrou-se secretamente com Bolívar para discutir sobre a libertação da América do Sul; após o encontro dos dois libertadores, as tropas de Bolívar tomaram parte da luta pela independência do Peru.

A batalha final entre o exército de Bolívar e as forças espanholas durou apenas uma hora, ocorrendo em 9 de dezembro de 1824. Lutando nas montanhas, a uma altitude de 9.000 pés, as tropas de Bolívar atacaram o exército espanhol que estava situado perto do vilarejo de Ayacucho. Esta batalha marcou o triunfo do movimento de independência da América do Sul.

A Independência do México

Assim como na América do Sul, o movimento de independência na Nova Espanha (atual México) começou como uma reação à invasão de Napoleão Bonaparte na Espanha.

Em 1810, Miguel Hidalgo, um padre crioulo, organizou uma revolta de indígenas e mestiços contra o governo espanhol. Padre Hidalgo pedia por independência, pelo retorno das terras que haviam sido tomadas dos indígenas e por um fim à escravidão. As forças de Hidalgo não eram militarmente preparadas e portavam apenas facas e bandoleiras. Mas à medida que começaram a marchar para o sul em direção à capital, as modestas tropas de Hidalgo cresceram.

Quando chegou à Cidade do México, Padre Hidalgo comandava um exército com mais de 50.000 homens. Mas temendo perder o controle de sua força indisciplinada, Hidalgo recuou. Os espanhóis perseguiram e derrotaram os rebeldes e executaram Hidalgo. Apesar de a rebelião ter fracassado, Padre Hidalgo é relembrado como “pai da independência mexicana”. Os mexicanos celebram o dia 16 de setembro, o dia em que a revolta teve início, como seu Dia de Independência.

Após a morte de Hidalgo, um padre mestiço chamado José Maria Morelos assumiu a liderança da revolução mexicana. Diferentemente do Padre Hidalgo, Morelos decidiu treinar um exército para lutar contra os colonizadores espanhóis. Em 1813, seu pequeno exército controlava a maior parte do sul do México, e Morelos declarou a independência do México da Espanha.

Os rebeldes prepararam uma nova Constituição prometendo igualdade para todas as pessoas, o fim dos privilégios especiais da Igreja e do exército, e a quebra dos grandes feudos. Mas estas medidas custaram a Morelos o apoio de muitos crioulos, que temiam a perda de suas riquezas. Após sofrer uma série de derrotas frente ao exército espanhol, Morelos foi capturado e morto em 1815.

Com a morte de Morelos, um México independente começou a parecer um sonho distante. Isto mudou em 1820, quando soldados na Espanha se revoltaram contra o rei, obrigando o monarca a restaurar a constituição de 1812 que favorecia reformas sociais. Temendo que tais reformas espanholas fossem adotadas no México, os crioulos se uniram aos rebeldes; juntos, eles derrotaram os espanhóis e proclamaram a independência do México em 1821.

Os crioulos esperavam estabelecer um governo antirreformista no México. Eles apoiavam Augustin de Iturbide, que havia capturado Morelos. Iturbide tomou controle do governo e em 1822 coroou-se imperador do México. Mas o povo logo se rebelou contra a sua administração tirana. Iturbide foi exilado e o México se declarou uma república em 1823.

Independência em toda a América Central

Os estados da América Central seguiram o exemplo do México, declarando sua independência da Espanha em 1821. Os atuais países de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua uniram-se em uma liga chamada de Províncias Unidas da América Central. Esta liga, que adotou uma forma de governo republicana, foi prejudicada por disputas entre seus membros. Após 1838, a liga foi rompida, e cada nação estabeleceu seu próprio governo.

Diferente da maior parte da América Latina, o Brasil obteve sua independência pacificamente. Quando o exército de Napoleão invadiu Portugal em 1807, o rei português mudou-se para a corte real no Brasil.

Sendo o centro do império português, o Brasil prosperou, e muitos brasileiros passaram a exigir a independência da nova nação. Em 1821, o rei português retornou a Portugal e deixou seu filho Pedro para governar o Brasil. Um ano depois, seguindo o conselho de seu pai, Pedro declarou a independência do Brasil e se tornou o Imperador Pedro I.


Era dos Caudilhos


Ao contrário dos colonos britânicos nos Estados Unidos, os latino-americanos haviam adquirido pouca experiência governamental durante o período em que foram colônias. Uma das consequências foi que os primeiros anos de independência latino-americana foram marcados por violência e instabilidade. O poder era mantido pelo exército e pelos proprietários de terra. Lentamente, porém, governos centrais foram estabelecidos sob a liderança de caudilhos - líderes políticos no comando de uma força autoritária.

Um caudilho era um ditador que chegava ao poder com o apoio do exército e de ricos proprietários de terra. Para permanecer no poder, um caudilho frequentemente presenteava seus aliados com mais propriedades territoriais e cargos no governo. Infelizmente, muitos oficiais do governo apontados pelos caudilhos eram incompetentes e corruptos. Mesmo que alguns caudilhos tivessem boas intenções de beneficiar seus países, eram, de fato, ditadores que permaneciam no poder com o uso de força. Este tipo de governo tornou-se tão comum na América Latina durante o século XIX que esse período é frequentemente denominado de Era dos Caudilhos.

O Chile


O Chile foi o primeiro país latino-americano a ter um governo central estável. Isto ocorreu sob a liderança do caudilho Diego Portales, um empresário crioulo. Portales liderou o Chile durante os anos 1830-1837, mas nunca se tornou oficialmente o presidente do país. Ele incentivou o crescimento da economia chilena e ordenou a construção de estradas, navios e linhas de telégrafo.


  Diego Portales


Como outros caudilhos, Portales acreditava na necessidade de se estabelecer um governo forte. A Constituição que ele criou para o Chile em 1833 dava ao presidente o poder de vetar leis criadas pela Legislatura, controlar as eleições e escolher seu sucessor.

A Argentina

  Juan Manuel de Rosas


Um líder muito bruto trouxe união nacional à Argentina. Juan Manuel de Rosas, empresário e proprietário de terras crioulo, governou o país de 1835 a 1852. Com a ajuda de espiões, de uma milícia e de sua polícia secreta, Rosas esmagou toda e qualquer oposição ao seu governo. Assim como Portales no Chile, Rosas favoreceu os interesses dos proprietários de terras. Porém, suas políticas também resultaram no fortalecimento do governo central da Argentina. Muitos líderes governamentais argentinos iniciaram programas de desenvolvimento econômico para o país.

Interesses Estrangeiros na América Latina


Enquanto os países latino-americanos lutavam para trazer ordem e prosperidade aos seus países, os líderes de diversas nações europeias planejavam restabelecer seus governos coloniais na América Latina. Com o incentivo do rei espanhol, vários monarcas europeus cogitaram derrubar as recém-formadas repúblicas latino-americanas.

Mas a Grã-Bretanha e os Estados Unidos se opuseram a tais ideias. 

A Grã-Bretanha não concordava com as políticas antirreformadora da Espanha e de aliados espanhóis. Além disso, os britânicos tinham estabelecido relações comerciais bastante lucrativas com a América Latina e não permitiriam que fossem prejudicadas.

Os Estados Unidos, assim como a Grã-Bretanha, se mostravam solidários com os latino-americanos. Os norte-americanos também se preocupavam com a possibilidade de ter uma forte presença europeia muito próxima a seu país.

Em 1823, a Grã-Bretanha pediu aos Estados Unidos que fizessem uma declaração em conjunto contra o plano espanhol. Os Estados Unidos decidiram fazer sua própria declaração, que se tornou conhecida como "Doutrina Monroe". Esta doutrina afirmava que as Américas não estariam mais abertas para colonizações de nenhum país europeu. Qualquer país que tentasse interferir nos assuntos de uma nação americana seria considerado inimigo dos Estados Unidos. 

A mensagem norte-americana foi forte, mas os Estados Unidos, que ainda eram uma pequena nação, não tinham o poder militar para apoiar sua posição. A marinha britânica, todavia, controlava os mares, e a Grã-Bretanha estava preparada para impor a Doutrina Monroe para proteger seu comércio com a América Latina. Com isso, as novas nações latino-americanas não mais se preocuparam com uma possível invasão da Espanha. 


O Neocolonialismo


As guerras de independência haviam enfraquecido as economias latino-americanas. Para se modernizarem, as novas nações precisavam de investimento em transporte, indústrias e bancos. Os líderes dos movimentos de independência da América Latina esperavam que suas nações atraíssem investidores europeus e norte-americanos, mas esta ajuda tardava em chegar. A liderança dos caudilhos finalmente trouxe alguma ordem à região e no final do século XIX, o comércio latino-americano cresceu e o capital externo começou a ser investido nas nações latino-americanas.

O comércio e investimentos contribuíram para o desenvolvimento econômico na América Latina, mas também resultaram em problemas. Matérias-primas tinham grande procura internacionalmente, e muitos países latino-americanos se concentraram na exportação de um ou dois produtos, em vez de construir uma economia de base. O Brasil, por exemplo, dependia quase exclusivamente do café e a Argentina da carne. Quando a demanda internacional por esses produtos diminuía, toda a economia sofria as consequências.

Além disso, os estrangeiros que investiam na América Latina exerciam uma enorme influência sobre os governos locais. Apesar de as nações da América Latina serem independentes, elas eram frequentemente obrigadas a aceitar as exigências de governos e empresas estrangeiras. Este tipo de dominação econômica é chamado de neocolonialismo.


 Fábrica de sapatos


A industrialização na América Latina resultou numa imigração em massa de europeus. Durante o final do século XIX, espanhóis, portugueses, italianos, franceses, irlandeses, chineses, japoneses e povos da Europa Central imigraram para os países da América Latina, buscando uma vida de possíveis grandes oportunidades econômicas. As habilidades, conhecimentos e ambições desses imigrantes fortaleceram as economias latino-americanas.

O México no Século XIX

 



Mesmo antes de o México obter sua independência da Espanha, cidadãos norte-americanos migraram para o Texas, que na época era território mexicano. Inicialmente, o governo mexicano incentivou o estabelecimento de norte-americanos no Texas. Mas logo surgiram conflitos entre os colonos e o governo; o governo mexicano, por exemplo, não aceitava os esforços dos colonos de trazerem escravos para o Texas. Estes conflitos levaram a uma luta armada em 1835.

Apesar de os mexicanos terem conquistado uma importante vitória militar em Álamo, os colonizadores norte-americanos do Texas derrotaram as forças mexicanas e declararam sua independência em 1836. Em 1845, os Estados Unidos decidiram anexar o Texas, ou seja, considerá-lo como território integral e permanente dos Estados Unidos. O México, que nunca aceitou a perda do Texas, protestou contra a anexação do estado pelos Estados Unidos e, em 1846, teve início uma guerra entre Estados Unidos e México.

A Guerra Mexicano-Americana provou-se desastrosa para o México. Forçado a se render em 1848, o país perdeu vastos territórios para os Estados Unidos, incluindo os atuais estados norte-americanos da Califórnia, Nevada, Utah, assim como parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming. Menos de 30 anos após sua independência, o território mexicano havia sido reduzido pela metade. 

Humilhado pela derrota militar e enfurecido com a corrupção no governo, o povo mexicano exigia mudanças. Em 1855, um governo reformista decidiu privar o clero e os altos oficiais do exército de uma série de privilégios.

Benito Juárez foi uma importante figura no movimento de reforma do México. Advogado de origem indígena tornou-se ministro da Justiça. Juárez implantou importantes reformas que foram adotadas por uma nova Constituição em 1857. Estas reformas estabeleceram uma divisão entre estado e Igreja, forçaram a Igreja a abrir mão de suas terras, e estimularam a liberdade de expressão. Também exigiam que processos envolvendo membros do clero e oficiais do exército fossem julgados em tribunais comuns.

Oponentes da Constituição recém-implantada decidiram derrubar o novo governo. Juárez e seus seguidores fugiram para Veracruz, onde estabeleceram seu próprio governo, tendo Juárez como presidente. Assim teve início a sangrenta guerra civil do México.

Na Guerra da Reforma (1858-1860), o exército, a Igreja e a classe alta voltaram-se contra os pobres e contra aqueles que queriam reformas. Os reformistas venceram a guerra, recuperaram a Cidade do México e elegeram Juárez presidente. Ele se tornou o primeiro indígena a ocupar o cargo de chefe de estado nas Américas desde a conquista europeia.

A Guerra da Reforma aumentou ainda mais as enormes dívidas do México com vários países europeus. Em 1862, o Presidente Juárez declarou que o país teria que adiar o pagamento de suas dívidas. Decididos a recuperar seu dinheiro, Grã-Bretanha, Espanha e França enviaram tropas ao México.

Os espanhóis e britânicos retiraram-se após o México prometer pagar suas dívidas. O imperador Napoleão III da França, porém, considerou tal fato como uma oportunidade de substituir Juárez por um governo que lhe convinha. Acreditando que os mexicanos iriam aceitar a volta da monarquia, Napoleão III persuadiu o Duque Maximiliano de Habsburgo, da Áustria, a tomar o controle do México. Em 1864, Maximiliano tornou-se imperador do país.

Entretanto, Juárez se recusou a reconhecer Maximiliano como governante do México e formou um exército para expulsar os franceses. Os Estados Unidos também rejeitaram tal atitude da França, considerando-a como uma violação da Doutrina Monroe. Todavia os norte-americanos não poderiam se envolver no conflito entre o México e a França, pois sua própria guerra civil estava ocorrendo à época. Em 1866, porém, a guerra civil norte-americana havia terminado, e os Estados Unidos passaram a pressionar os franceses para deixar o México. Encontrando problemas também na França, Napoleão retirou suas tropas. Juárez voltou ao poder e Maximiliano foi executado por um pelotão armado.

Juárez foi presidente do México até sua morte, em 1872. O poderoso líder mexicano após Juárez foi o General Porfírio Diaz, que chegou ao poder em 1876. Ditador cruel, governou o México até 1911.


 General Porfírio Diaz


Diaz se empenhou para construir a economia mexicana. Durante seu governo, empresários estrangeiros investiram pesadamente na indústria e agricultura. Financiado por estrangeiros, o México construiu ferrovias e desenvolveu sua indústria mineradora e petrolífera. O governo logo teve o primeiro superávit na história de sua república.

Todavia, a maior parte dos lucros das novas indústrias e minas mexicanas foi para investidores da Europa e Estados Unidos. Os novos crioulos ricos adotaram modos europeus e demonstravam preconceito quanto à cultura mexicana. Isso feriu o orgulho nacional mexicano. Apesar de o México crescer economicamente durante o governo de Diaz, havia um descontentamento silencioso entre o povo e que iria explodir anos depois.


 

No final do século XVIII, havia grande tensão nas colônias na América Latina. Altos impostos e restrições ao comércio enfureciam os latino-americanos. Influenciados pelas ideias iluministas, muitos latino-americanos desejavam reformas. Inspirados pelas revoluções nos Estados Unidos e na França, os colonos iniciaram suas próprias revoltas.

Uma das maiores queixas dos latino-americanos contra o domínio colonial era a desigualdade social que prevalecia nas colônias. Os espanhóis e portugueses haviam estabelecido um rígido sistema social que favorecia os europeus e prejudicava os nativos.

No topo da escala social estavam os:

·   Peninsulares – pessoas nascidas na Península Ibérica da Europa, onde Espanha e Portugal estão localizados. Os peninsulares dominavam a vida colonial, possuindo vastos territórios, controlando minas e o comércio e mantendo a grande maioria dos altos cargos no governo, exército e Igreja.

·   Abaixo dos peninsulares estavam os Crioulos – pessoas de descendência espanhola ou portuguesa que haviam nascido em território americano. Legalmente, os crioulos tinham os mesmos direitos que os peninsulares e normalmente possuíam grandes riquezas. Porém, eles eram considerados socialmente inferiores aos peninsulares e não podiam exercer cargos importantes.

ØNa escala social, abaixo daqueles de pura descendência européia estavam pessoas de descendências mescladas: mestiços e mulatos. Ambos os grupos eram barrados das mais altas posições na sociedade latino-americana. Contudo, eles mantinham uma grande variedade de cargos, tornando-se soldados, fazendeiros, trabalhadores rurais, advogados e mercantes.

ØEm último lugar na escala social estavam os indígenas e escravos africanos. A maioria dos membros deste grupo levava uma vida difícil, trabalhando nas minas e plantações. Apesar de constituírem a maioria da população, os indígenas e africanos não exerciam poder ou influência em suas sociedades.

As Primeiras Revoltas

 

No final do século XVIII, o governo espanhol aumentou os impostos coloniais para reabastecer seus tesouros. Os colonos não aceitaram essa imposição passivamente e se revoltaram contra seus colonizadores. Em 1780, Túpac Amaru, um mestiço descendente dos reis incas, liderou uma rebelião de indígenas no Peru. Os rebeldes exigiam o fim do trabalho forçado e de impostos sobre a venda de produtos. Eles também pediam que indígenas, e não espanhóis, fossem nomeados como seus governadores. Na luta que seguiu, milhares de indígenas foram massacrados pelos espanhóis e suas propriedades foram destruídas. As forças colonizadoras esmagaram a rebelião indígena e assassinaram seus líderes.

 

 Túpac Amaru

 

Enquanto a violência tomava o Peru, uma revolta contra os colonizadores também ocorreu na Colômbia. Como no Peru, os espanhóis aumentaram os impostos a serem pagos pelos colonos. Como consequência disto, em 1781, camponeses indígenas e mestiços, liderados por crioulos, formaram um exército de 20.000 homens e marcharam na capital da Colômbia, Bogotá. O governo colonizador inicialmente concordou com as exigências dos rebeldes, mas depois voltou atrás em suas promessas e aniquilou o exército dos colonos. Para desencorajar futuras revoltas, a corte espanhola ordenou que o último líder rebelde que ainda estava vivo fosse executado de uma forma terrível. Mas mesmo essa monstruosa punição espanhola não impediu futuros levantes de colonos.

Revolução no Haiti

 

A primeira revolta bem-sucedida na América Latina não ocorreu contra a Espanha ou Portugal, mas contra a França. A colônia francesa de São Domingos, localizada na ilha de Hispaniola, era uma das mais lucrativas colônias europeias nas Américas. Aproximadamente 400.000 escravos negros trabalhavam nas plantações de açúcar de São Domingos. Por volta de 22.000 mulatos também viviam na colônia; a maioria deles vivia livremente e até possuía terras. Porém, os mulatos eram proibidos de praticar certas profissões, como o direito e medicina.

Um mulato chamado Vicente Ogé estava em Paris quando a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi adotada em 1789. Ao retornar a São Domingos, ele exigiu os mesmos direitos para os mulatos que viviam livres na colônia. Ultrajado com suas exigências, o governo francês torturou-o até a morte.

A execução de Ogé fomentou um grande sentimento de revolta entre os mulatos da colônia. Quando os escravos negros de São Domingos se rebelaram em 1791, os mulatos uniram-se a eles. Liderados por um ex-escravo chamado Pierre Toussaint L’Ouverture, os rebeldes expulsaram os franceses de São Domingos.

         Toussaint acabara de estabelecer um novo governo em São Domingos quando Napoleão Bonaparte chegou ao poder na França. O novo imperador francês enviou tropas para retomar a ex-colônia. Porém, as forças francesas perderam muitas batalhas contra os rebeldes e muitos de seus soldados morreram de febre amarela. Em 1804, após 13 anos de guerra, os revolucionários declararam a independência da colônia de São Domingos que foi nomeada de Haiti.

 Simon Bolívar

 Acontecimentos na Europa também contribuíram para o movimento de independência no norte da América do Sul. Em 1808, Napoleão Bonaparte invadiu a Espanha e levou seu irmão ao trono espanhol. Aproveitando o tumulto na Espanha, os líderes crioulos tomaram controle de diversas cidades sul-americanas. Estas revoltas impulsionaram uma grande revolta contra os colonizadores espanhóis.

O maior líder revolucionário da América Latina foi Simon Bolívar, popularmente conhecido como o “George Washington latino”. Nascido na Venezuela em uma família rica crioula, Bolívar estudou na Espanha. As revoluções norte-americana e francesa inspiraram-no a formar um exército latino-americano para lutar contra os ocupadores espanhóis. Prometendo libertar os escravos da América do Sul quando conquistasse a independência – uma promessa que ele eventualmente manteve – Bolívar obteve o apoio do Haiti em 1816.

A luta de Bolívar contra os espanhóis durou muitos anos. Em 1819, ele liderou milhares de soldados em direção oeste, do vale do Rio Orinoco através dos Andes. Enfrentando um frio muito severo, mais de 100 de seus homens morreram ao atravessar as montanhas. Mas apesar destas dificuldades, as tropas remanescentes de Bolívar derrotaram o exército espanhol num ataque surpresa. Naquele mesmo ano, Bolívar tornou-se presidente da nação independente da Grande Colômbia. Esta nova nação era constituída pelos atuais países do Panamá, Colômbia, Venezuela e Equador.

Enquanto Simon Bolívar libertava a região norte da América do Sul, outro líder crioulo, José de San Martín, liderava um exército ao norte da Argentina. A Argentina estava livre do domínio espanhol desde 1806. Todavia, San Martín acreditava que a América do Sul só permaneceria independente se os espanhóis fossem também expulsos do Chile e Peru.

Em 1817, o exército bem treinado de San Martín cruzou os Andes e capturou Santiago, no Chile. Em 1821, eles tomaram Lima, capital do Peru e centro do poder espanhol na América do Sul. Ainda assim, as forças espanholas no interior permaneceram fortes. No ano seguinte, San Martín encontrou-se secretamente com Bolívar para discutir sobre a libertação da América do Sul; após o encontro dos dois libertadores, as tropas de Bolívar tomaram parte da luta pela independência do Peru.

 

A batalha final entre o exército de Bolívar e as forças espanholas durou apenas uma hora, ocorrendo em 9 de dezembro de 1824. Lutando nas montanhas, a uma altitude de 9.000 pés, as tropas de Bolívar atacaram o exército espanhol que estava situado perto do vilarejo de Ayacucho. Esta batalha marcou o triunfo do movimento de independência da América do Sul.

A Independência do México

 Assim como na América do Sul, o movimento de independência na Nova Espanha (atual México) começou como uma reação à invasão de Napoleão Bonaparte na Espanha.

Em 1810, Miguel Hidalgo, um padre crioulo, organizou uma revolta de indígenas e mestiços contra o governo espanhol. Padre Hidalgo pedia por independência, pelo retorno das terras que haviam sido tomadas dos indígenas e por um fim à escravidão. As forças de Hidalgo não eram militarmente preparadas e portavam apenas facas e bandoleiras. Mas à medida que começaram a marchar para o sul em direção à capital, as modestas tropas de Hidalgo cresceram.

Quando chegou à Cidade do México, Padre Hidalgo comandava um exército com mais de 50.000 homens. Mas temendo perder o controle de sua força indisciplinada, Hidalgo recuou. Os espanhóis perseguiram e derrotaram os rebeldes e executaram Hidalgo. Apesar de a rebelião ter fracassado, Padre Hidalgo é relembrado como “pai da independência mexicana”. Os mexicanos celebram o dia 16 de setembro, o dia em que a revolta teve início, como seu Dia de Independência.

Após a morte de Hidalgo, um padre mestiço chamado José Maria Morelos assumiu a liderança da revolução mexicana. Diferentemente do Padre Hidalgo, Morelos decidiu treinar um exército para lutar contra os colonizadores espanhóis. Em 1813, seu pequeno exército controlava a maior parte do sul do México, e Morelos declarou a independência do México da Espanha.

 Os rebeldes prepararam uma nova Constituição prometendo igualdade para todas as pessoas, o fim dos privilégios especiais da Igreja e do exército, e a quebra dos grandes feudos. Mas estas medidas custaram a Morelos o apoio de muitos crioulos, que temiam a perda de suas riquezas. Após sofrer uma série de derrotas frente ao exército espanhol, Morelos foi capturado e morto em 1815.

Com a morte de Morelos, um México independente começou a parecer um sonho distante. Isto mudou em 1820, quando soldados na Espanha se revoltaram contra o rei, obrigando o monarca a restaurar a constituição de 1812 que favorecia reformas sociais. Temendo que tais reformas espanholas fossem adotadas no México, os crioulos se uniram aos rebeldes; juntos, eles derrotaram os espanhóis e proclamaram a independência do México em 1821.

Os crioulos esperavam estabelecer um governo antirreformista no México. Eles apoiavam Augustin de Iturbide, que havia capturado Morelos. Iturbide tomou controle do governo e em 1822 coroou-se imperador do México. Mas o povo logo se rebelou contra a sua administração tirana. Iturbide foi exilado e o México se declarou uma república em 1823.

Independência em toda a América Central

 Os estados da América Central seguiram o exemplo do México, declarando sua independência da Espanha em 1821. Os atuais países de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua uniram-se em uma liga chamada de Províncias Unidas da América Central. Esta liga, que adotou uma forma de governo republicana, foi prejudicada por disputas entre seus membros. Após 1838, a liga foi rompida, e cada nação estabeleceu seu próprio governo.

Diferente da maior parte da América Latina, o Brasil obteve sua independência pacificamente. Quando o exército de Napoleão invadiu Portugal em 1807, o rei português mudou-se para a corte real no Brasil.

Sendo o centro do império português, o Brasil prosperou, e muitos brasileiros passaram a exigir a independência da nova nação. Em 1821, o rei português retornou a Portugal e deixou seu filho Pedro para governar o Brasil. Um ano depois, seguindo o conselho de seu pai, Pedro declarou a independência do Brasil e se tornou o Imperador Pedro I.

 

Era dos Caudilhos

 

Ao contrário dos colonos britânicos nos Estados Unidos, os latino-americanos haviam adquirido pouca experiência governamental durante o período em que foram colônias. Uma das consequências foi que os primeiros anos de independência latino-americana foram marcados por violência e instabilidade. O poder era mantido pelo exército e pelos proprietários de terra. Lentamente, porém, governos centrais foram estabelecidos sob a liderança de caudilhos - líderes políticos no comando de uma força autoritária.

Um caudilho era um ditador que chegava ao poder com o apoio do exército e de ricos proprietários de terra. Para permanecer no poder, um caudilho frequentemente presenteava seus aliados com mais propriedades territoriais e cargos no governo. Infelizmente, muitos oficiais do governo apontados pelos caudilhos eram incompetentes e corruptos. Mesmo que alguns caudilhos tivessem boas intenções de beneficiar seus países, eram, de fato, ditadores que permaneciam no poder com o uso de força. Este tipo de governo tornou-se tão comum na América Latina durante o século XIX que esse período é frequentemente denominado de Era dos Caudilhos.

O Chile

 O Chile foi o primeiro país latino-americano a ter um governo central estável. Isto ocorreu sob a liderança do caudilho Diego Portales, um empresário crioulo. Portales liderou o Chile durante os anos 1830-1837, mas nunca se tornou oficialmente o presidente do país. Ele incentivou o crescimento da economia chilena e ordenou a construção de estradas, navios e linhas de telégrafo.

             Como outros caudilhos, Portales acreditava na necessidade de se estabelecer um governo forte. A Constituição que ele criou para o Chile em 1833 dava ao presidente o poder de vetar leis criadas pela Legislatura, controlar as eleições e escolher seu sucessor.

A Argentina 

Um líder muito bruto trouxe união nacional à Argentina. Juan Manuel de Rosas, empresário e proprietário de terras crioulo, governou o país de 1835 a 1852. Com a ajuda de espiões, de uma milícia e de sua polícia secreta, Rosas esmagou toda e qualquer oposição ao seu governo. Assim como Portales no Chile, Rosas favoreceu os interesses dos proprietários de terras. Porém, suas políticas também resultaram no fortalecimento do governo central da Argentina. Muitos líderes governamentais argentinos iniciaram programas de desenvolvimento econômico para o país.

Interesses Estrangeiros na América Latina 

Enquanto os países latino-americanos lutavam para trazer ordem e prosperidade aos seus países, os líderes de diversas nações europeias planejavam restabelecer seus governos coloniais na América Latina. Com o incentivo do rei espanhol, vários monarcas europeus cogitaram derrubar as recém-formadas repúblicas latino-americanas.

Mas a Grã-Bretanha e os Estados Unidos se opuseram a tais ideias.

A Grã-Bretanha não concordava com as políticas antirreformadora da Espanha e de aliados espanhóis. Além disso, os britânicos tinham estabelecido relações comerciais bastante lucrativas com a América Latina e não permitiriam que fossem prejudicadas.

Os Estados Unidos, assim como a Grã-Bretanha, se mostravam solidários com os latino-americanos. Os norte-americanos também se preocupavam com a possibilidade de ter uma forte presença europeia muito próxima a seu país.

Em 1823, a Grã-Bretanha pediu aos Estados Unidos que fizessem uma declaração em conjunto contra o plano espanhol. Os Estados Unidos decidiram fazer sua própria declaração, que se tornou conhecida como "Doutrina Monroe". Esta doutrina afirmava que as Américas não estariam mais abertas para colonizações de nenhum país europeu. Qualquer país que tentasse interferir nos assuntos de uma nação americana seria considerado inimigo dos Estados Unidos.

A mensagem norte-americana foi forte, mas os Estados Unidos, que ainda eram uma pequena nação, não tinham o poder militar para apoiar sua posição. A marinha britânica, todavia, controlava os mares, e a Grã-Bretanha estava preparada para impor a Doutrina Monroe para proteger seu comércio com a América Latina. Com isso, as novas nações latino-americanas não mais se preocuparam com uma possível invasão da Espanha.

 O Neocolonialismo

                 As guerras de independência haviam enfraquecido as economias latino-americanas. Para se modernizarem, as novas nações precisavam de investimento em transporte, indústrias e bancos. Os líderes dos movimentos de independência da América Latina esperavam que suas nações atraíssem investidores europeus e norte-americanos, mas esta ajuda tardava em chegar. A liderança dos caudilhos finalmente trouxe alguma ordem à região e no final do século XIX, o comércio latino-americano cresceu e o capital externo começou a ser investido nas nações latino-americanas.

O comércio e investimentos contribuíram para o desenvolvimento econômico na América Latina, mas também resultaram em problemas. Matérias-primas tinham grande procura internacionalmente, e muitos países latino-americanos se concentraram na exportação de um ou dois produtos, em vez de construir uma economia de base. O Brasil, por exemplo, dependia quase exclusivamente do café e a Argentina da carne. Quando a demanda internacional por esses produtos diminuía, toda a economia sofria as consequências.

Além disso, os estrangeiros que investiam na América Latina exerciam uma enorme influência sobre os governos locais. Apesar de as nações da América Latina serem independentes, elas eram frequentemente obrigadas a aceitar as exigências de governos e empresas estrangeiras. Este tipo de dominação econômica é chamado de neocolonialismo.

 A industrialização na América Latina resultou numa imigração em massa de europeus. Durante o final do século XIX, espanhóis, portugueses, italianos, franceses, irlandeses, chineses, japoneses e povos da Europa Central imigraram para os países da América Latina, buscando uma vida de possíveis grandes oportunidades econômicas. As habilidades, conhecimentos e ambições desses imigrantes fortaleceram as economias latino-americanas.

O México no Século XIX

Mesmo antes de o México obter sua independência da Espanha, cidadãos norte-americanos migraram para o Texas, que na época era território mexicano. Inicialmente, o governo mexicano incentivou o estabelecimento de norte-americanos no Texas. Mas logo surgiram conflitos entre os colonos e o governo; o governo mexicano, por exemplo, não aceitava os esforços dos colonos de trazerem escravos para o Texas. Estes conflitos levaram a uma luta armada em 1835.

Apesar de os mexicanos terem conquistado uma importante vitória militar em Álamo, os colonizadores norte-americanos do Texas derrotaram as forças mexicanas e declararam sua independência em 1836. Em 1845, os Estados Unidos decidiram anexar o Texas, ou seja, considerá-lo como território integral e permanente dos Estados Unidos. O México, que nunca aceitou a perda do Texas, protestou contra a anexação do estado pelos Estados Unidos e, em 1846, teve início uma guerra entre Estados Unidos e México.

Guerra Mexicano-Americana provou-se desastrosa para o México. Forçado a se render em 1848, o país perdeu vastos territórios para os Estados Unidos, incluindo os atuais estados norte-americanos da Califórnia, Nevada, Utah, assim como parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming. Menos de 30 anos após sua independência, o território mexicano havia sido reduzido pela metade.

Humilhado pela derrota militar e enfurecido com a corrupção no governo, o povo mexicano exigia mudanças. Em 1855, um governo reformista decidiu privar o clero e os altos oficiais do exército de uma série de privilégios.

Benito Juárez foi uma importante figura no movimento de reforma do México. Advogado de origem indígena tornou-se ministro da Justiça. Juárez implantou importantes reformas que foram adotadas por uma nova Constituição em 1857. Estas reformas estabeleceram uma divisão entre estado e Igreja, forçaram a Igreja a abrir mão de suas terras, e estimularam a liberdade de expressão. Também exigiam que processos envolvendo membros do clero e oficiais do exército fossem julgados em tribunais comuns.

             Oponentes da Constituição recém-implantada decidiram derrubar o novo governo. Juárez e seus seguidores fugiram para Veracruz, onde estabeleceram seu próprio governo, tendo Juárez como presidente. Assim teve início a sangrenta guerra civil do México.

Na Guerra da Reforma (1858-1860), o exército, a Igreja e a classe alta voltaram-se contra os pobres e contra aqueles que queriam reformas. Os reformistas venceram a guerra, recuperaram a Cidade do México e elegeram Juárez presidente. Ele se tornou o primeiro indígena a ocupar o cargo de chefe de estado nas Américas desde a conquista europeia.

A Guerra da Reforma aumentou ainda mais as enormes dívidas do México com vários países europeus. Em 1862, o Presidente Juárez declarou que o país teria que adiar o pagamento de suas dívidas. Decididos a recuperar seu dinheiro, Grã-Bretanha, Espanha e França enviaram tropas ao México.

Os espanhóis e britânicos retiraram-se após o México prometer pagar suas dívidas. O imperador Napoleão III da França, porém, considerou tal fato como uma oportunidade de substituir Juárez por um governo que lhe convinha. Acreditando que os mexicanos iriam aceitar a volta da monarquia, Napoleão III persuadiu o Duque Maximiliano de Habsburgo, da Áustria, a tomar o controle do México. Em 1864, Maximiliano tornou-se imperador do país.

Entretanto, Juárez se recusou a reconhecer Maximiliano como governante do México e formou um exército para expulsar os franceses. Os Estados Unidos também rejeitaram tal atitude da França, considerando-a como uma violação da Doutrina Monroe. Todavia os norte-americanos não poderiam se envolver no conflito entre o México e a França, pois sua própria guerra civil estava ocorrendo à época. Em 1866, porém, a guerra civil norte-americana havia terminado, e os Estados Unidos passaram a pressionar os franceses para deixar o México. Encontrando problemas também na França, Napoleão retirou suas tropas. Juárez voltou ao poder e Maximiliano foi executado por um pelotão armado.

              Juárez foi presidente do México até sua morte, em 1872. O poderoso líder mexicano após Juárez foi o General Porfírio Diaz, que chegou ao poder em 1876. Ditador cruel, governou o México até 1911.

             Diaz se empenhou para construir a economia mexicana. Durante seu governo, empresários estrangeiros investiram pesadamente na indústria e agricultura. Financiado por estrangeiros, o México construiu ferrovias e desenvolveu sua indústria mineradora e petrolífera. O governo logo teve o primeiro superávit na história de sua república.

Todavia, a maior parte dos lucros das novas indústrias e minas mexicanas foi para investidores da Europa e Estados Unidos. Os novos crioulos ricos adotaram modos europeus e demonstravam preconceito quanto à cultura mexicana. Isso feriu o orgulho nacional mexicano. Apesar de o México crescer economicamente durante o governo de Diaz, havia um descontentamento silencioso entre o povo e que iria explodir anos depois.