O acordo
descumprido entre Portugal e Espanha face à expansão da América Portuguesa
principalmente iniciado por Portugal foi o Tratado de Tordesilhas que se tornou
ultrapassado, que ao longo do século XVIII as relações das duas coroas foram marcadas
por conflitos negociações diplomáticas e assinatura de tratados.
A
colonização da América portuguesa durante o século XVI foi limitada só às áreas
do litoral, pois a coroa tinha medo de que um movimento para o interior pudesse
fragilizar a costa facilitando assim as invasões dos estrangeiros. Porém, em
pouco tempo novas atividades econômicas levaram os colonos a avançar em direção
ao interior e ampliar as fronteira da América portuguesa.
A ocupação do interior, onde hoje
é o Nordeste, foi obra principalmente por meio de fazenda de gados, usinas
açucareiras principalmente em Pernambuco e na Bahia e mais ao sul em direção a
Minas Gerais e Mato Grosso que teve como ponto de partida a capitania de São
Vicente de onde saíram os Bandeirantes que posteriormente foram em busca de
metais preciosos. As fazendas de gado que partiram principalmente de Pernambuco
e da Bahia avançaram em direção ao Rio São Francisco e ao norte e noroeste dos
atuais estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, do Ceará e do Piauí e do
Maranhão, onde o nordeste foi favorecido pela abundância de terras e pelas
exigências de poucos recursos e pouca mão de obra.
Foram
abertas várias estradas para facilitar a comunicação entre o litoral e o
interior, onde por elas circulava o comércio de carne-seca e principalmente o
couro que foi o produto de exportação para Portugal e a principal matéria prima
para confecção de roupas, acessórios e outros artigos usados pelo sertanejo,
como exemplo temos a boroaca (tipo de cesto feito de couro de boi, que permitia
conduzir farinha de um lado da sela e do outro a carne assada).
A
falta constante de mão de obra para as lavouras levou a organizar expedições
com o fim de capturar indígenas e ficaram conhecidas como bandeiras de
apresamento, que no início procurava os nativos nas plantações e depois em
territórios cada vez mais distantes da vila surgindo no século XVII assim o
bandeirismo. Os integrantes dessas expedições foram chamados de bandeirantes.
Em se
tratando da busca dos metais preciosos na segunda metade do século XVII as
expedições se intensificaram e partiram em busca de pedras e metais preciosos e
ficaram conhecidas como bandeiras de prospecção. A bandeira sendo uma expedição
numerosa era composta por um chefe, capelão, homens brancos, mamelucos (descendente
de pai branco com mãe índia) e índios. Nas viagens os bandeirantes levavam
Arcabuz (antiga arma de fogo portátil), pistolas, chumbo e pólvora, machados,
facas, foices e cordas para prender e conduzir os índios escravizados.
A
Guerra dos Mascates foi o fato histórico ocorrido entre 1710 e 1711 que teve
como origem nas mudanças ocorrida em Pernambuco depois da expedição dos
holandeses em 1654. A câmara dos vereadores de Olinda era dominada pelos
senhores de engenho, porém estava em dificuldades que, não só eram prejudicados
pela concorrência do açúcar das Antilhas como também da capitania do Rio de
Janeiro. Recife ao contrário, prosperava graças às melhorias trazidas pelo
governo holandês e os comerciantes portugueses. Mas, não tinha condição de vila
e estava subordinada a Olinda. A tensão se agravou entre os comerciantes de
Recife chamados de mascates e os fazendeiros de Olinda. Os mascates com o apoio
da coroa venceram o conflito. Recife ficou com a condição de vila e tornou-se a
sede da capitania de Pernambuco.
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