sexta-feira, 31 de maio de 2013

Matuto complicado

Não muito distante da capital
Num lugar do interior
Vou contar uma pequena história
De um grande agricultor
Que vive nesta cidade
E é pessoa de valor
O interior é de Pernambuco
João Alfredo é a cidade.

O seu nome é seu Antero
Ele é um homem de verdade
Ele morava era no sítio
Chamado de Melancia
E com sua família ele vivia
Três filhos e uma filha
Apanhando capim pro boi
Jogando água na bacia.

Pro animal matar a sede
E crescer com muita saúde
Pra depois vender na feira
O bicho gordo e cevado
E fazer com o seu lucro
Nova compra de um bezerro
E o restante do dinheiro
Alimentar o pessoal.

Fazendo assim ano inteiro
Comprava um e vendia o outro
É assim como ele faz
Ensinando também à turma
A todos os filhos seus
Que cada um é bom rapaz
Aprendendo o ofício
Ensinado pelo pai.

O homem é agricultor
E comerciante também
Não vive de enrolada
E é cidadão de bem.
Mas, tem gente muita esperta,
Que só se interessa
Pelo que o homem já tem.

Tem cliente de todo jeito
Cliente bom e ruim também
Que tenta passar a perna
Em uma pessoa de bem
Que certo dia o pobre homem
Foi vender seu gado pra alguém
Há uma pessoa com esperteza
Queria lhe passar a perna.

Querendo ser mais esperta
O bom homem percebeu
A malícia do mau cliente
Que queria enrolá-lo
E ficar com o excedente
Que com muita esperteza
Fazendo-se de inteligente
E que a todo instante
Passava a perna na gente

Seu Antero disse assim
Sai pra lá coisa ruim
Aqui você não faz
Nenhum negócio para mim
Mandou ele ir embora
Praquele lugar tão ruim
O mau cliente não saiu
Do lugar que estava ali
E nem tão pouco ele foi
Praquele lugar ruim assim.

Desde então daquela asneira
Começou-se a confusão
Os dois começaram a briga
Que das pessoas que ali estavam
Foi chamando a atenção
Alguns ali presentes
Com certa empolgação
Ouvindo o palavreado
De gente sem instrução.

Poxa daqui e poxa de lá
Foi poxa durante o dia
Todo mundo ouvindo isso
Com uma certa euforia
Começando a baixaria
Falei esta palavra
Pois outra eu não podia

O cliente da confusão
Era uma pessoa muito baixa
Ao pobre homem esculhambou
Chamando-o de filho da puta
Que com homem desse tipo
Que parecia não ter lar
Com aquele palavreado
Não era pra negociar.

Mas o mau cliente era mesmo
Uma pessoa ruim
Que jogou logo uma praga
Que seu Antero ficou inquieto
Daquelas palavras pesadas
Que batiam no seu peito
Sentimentos negativos
Que passou o dia sem jeito

A praga era para o pobre homem
Sua venda não fazer
Dizendo assim bem claro
Você vai se ferrar e não vender
Não mais vender seu gado
E suas vendas atrasar.
O pobre daquele homem
Ficou triste e acabrunhado
Pensou logo em ir pra casa
E ficar era lá bem trancado.

Mas ele levantou a cabeça
E ficou foi lá na feira.
O homem não deixou se levar
Na conversa de gente baixa não
Aproveitou foi à bagunça
Daquela grande confusão.
Não respondendo ao cliente
E deixando ele na mão.

Aproveitando as pessoas
Que estavam ali presentes
De apresentar fez questão
Os produtos da sua mão
Um boi branco nelore
E o outro bem rajadão.
Animais que ele criara
Com raça e satisfação.

Passaram esquecer a briga
As pessoas ali presentes
Vendo sua propaganda
Começando a negociata
Dos dois animais de raça
Todos no meio da feira
Com uma grande barulhada

Uma pessoa botou um preço
Mas o homem não aceitou
Disse que era pouco
Por um animal de valor
Que era preço de um porco
O valor que colocou
A pessoa ficou irritada
E disse que não negociava
Com gente tão complicada.

O homem falou que não era
Não era complicado não
Disse apenas que seu preço
Não estava justo não
Foi chegando outro cliente
Dizendo parem a confusão
Vou triplicar o preço
Que o senhor aqui colocou.

Nestes dois belos bois de raça
Que este homem tratou
Vou levar logo os dois
Que estão nas mãos do senhor
Diga se o senhor quer vender
E para não mais complicar
O meu preço é pra valer
Para eu agora encerrar

Pra eu poder lhe pagar
Esta compra complicada
Essa parada tão simples
Que vocês tão complicando
Pra poder encerrar agora
Que estou nem aguentando
Vou lhe pagar na hora
Que vou logo me zarpando.

Para o novo cliente os bois
O bom homem disse que vendia
Entregando os dois
Recebeu o dinheiro em dia
Ficando todo contente
Foi embora para casa
Satisfeito e sorridente.

Essa foi uma parte da história
Desse homem muito simples
Homem de muita garra
Que resolve seus problemas
É no peito e na raça.
Se as pessoas dizem a ele
Que ele é um bicho complicado
Ele diz:“Nem tudo que sai de graça” é engraçado.

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