FACULDADE JOAQUIM NABUCO
ESPECIALIZAÇÃO EM DOCÊNCIA
DO ENSINO SUPERIOR
Antonio Batista Ferreira
José Américo Teixeira de Barros
EAD:
SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA EM PERNAMBUCO
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Artigo apresentado para
obtenção do título de Especialista em Docência do Ensino Superior da
Faculdade Joaquim Nabuco.
Orientador: Prof.
Mestre Clóvis Miyachi
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Recife
2013
Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa
tecnologia excedeu a nossa humanidade.
Albert
Einstein
RESUMO
Em Pernambuco as
instituições existentes, tanto as públicas quanto as ONGs, precisam ser
flexíveis e inovadoras à abrangência do EaD, que é uma modalidade de ensino inovadora,
permanente e necessária no processo do conhecimento gerando evolução social
usando os recursos espaciais, onde professores e
alunos estão separados espacialmente sem limites de distância se tornando necessária
e pertinente ao desenvolvimento humano. As leis existentes no Brasil como, a
nova Constituição Federativa do Brasil, a Lei de Diretrizes de Base (Lei nº 9394/96), e o
Decreto nº 5.622/05
com suas alterações pelo Decreto nº 6.303/07, dão acessibilidade e facilidade de expandir o EaD para
todas pessoas buscarem o conhecimento. Para as pessoas das comunidades
carentes, as de baixa renda, que são as das classes sociais D e E terem acesso
ao EaD, só será possível por meios de políticas públicas consistentes assim
como, extensão das redes de internet de graça ou com baixo custo, bem como a
facilidade na aquisição de computadores, possibilitando o acesso das
comunidades carentes
e o incentivo aos estudos nesta modalidade. O EaD – Ensino a Distância - no Brasil vem crescendo
consideradamente nos últimos tempos, que conforme o Ministério da
Educação
dados revelam que a cada cinco novos alunos que
pretendem realizar um curso de graduação
um prefere a modalidade à distância e relata
que do ano de 2000 para 2010, a quantidade de matrículas passou de 5.287 para 930.179, onde o
número de instituições credenciadas já chegam há 222
que estão oferecendo 930 cursos de graduação à distância. O que podemos
observar é que o investimento em extensão das redes de internet de graça ou com
baixo custo, ainda não é alcançável à população carente o que torna perceptível
a insatisfação dessa classe social quanto ao seu desenvolvimento educacional o
que reflete em sua vida social.
Palavras-chave: Pernambuco,
EAD, baixa renda.
ABSTRACTO
En Pernambuco instituciones existentes, tanto nacionales
como organizaciones no gubernamentales, deben ser flexibles e innovadoras para
el ámbito de la educación a distancia, que es un método de enseñanza innovador,
conocimiento del proceso permanente y necesaria para generar el cambio social
con los recursos espaciales, donde los profesores y los estudiantes están
separados espacialmente sin límites de distancia se hizo necesaria y relevante
para el desarrollo humano. Las leyes existentes en Brasil como la nueva
Constitución Federal de Brasil, la Ley de Directrices Básicas (Ley N º 9394/96)
y el Decreto N º 5.622/05 con sus cambios por Decreto 6.303/07, dar
accesibilidad y facilidad de expansión la lista de lesionados para todas las
personas buscan el conocimiento. A la gente de las comunidades pobres, los
pobres, que son las clases sociales D y E tienen acceso a la educación a
distancia, sólo es posible a través de políticas públicas coherentes, así como
la ampliación de las redes de Internet de forma gratuita oa un bajo costo
facilitar el acceso a las comunidades marginadas y fomentar los estudios en
este modo. La Educación a Distancia - Educación a Distancia - consideradamente
en Brasil ha estado creciendo en los últimos años, de acuerdo con cifras del
Ministerio de Educación muestran que cinco nuevos estudiantes que deseen
realizar un curso de grado uno prefiere modalidad a distancia e informa que en
el año 2000 para 2010, el número de la matrícula aumentó de 5.287 a 930.179,
donde el número de instituciones acreditadas ahora llegan a 222 hay que
distancia están ofreciendo 930 de pregrado. Lo que podemos observar es que la
magnitud de la inversión en las redes de Internet de forma gratuita oa bajo
costo, aún no es accesible a los pobres, lo que hace evidente que la
insatisfacción de la clase social en cuanto a su desarrollo educativo que se
refleja en su vida social.
Palabras clave: Pernambuco, el ingreso EAD, bajo.
1-
INTRODUÇÃO
Este trabalho apresenta
informações básicas e necessárias na questão do EaD (Ensino a Distância) para
classe de baixa renda no Estado de Pernambuco.
Conceitua de forma
sintetizada a modalidade de ensino EaD dando ao conceito uma importância
necessária na metodologia na questão da problemática educacional.
Pesquisa e analisa sobre
o oferecimento de cursos na modalidade do ensino a distância com nível de
graduação no Estado de Pernambuco em uma das suas instituições estatais, o que
não vem o caso das instituições no Estado de Pernambuco de âmbito federal
(UFPE, UFRPE, IFPE) que oferece cursos EaD com limitações (com poucas vagas e
com vestibulares fora da realidade do nível de educação – conhecimentos
específicos) e das instituições particulares que também oferecem cursos pelo
EaD que além dessas limitações os valores estão aquém do poder aquisitivo das
pessoas de baixa renda, onde o acesso dessas classes sociais D e E é restrito.
A pesquisa busca investigar
no estado de Pernambuco de que forma uma de suas instituições oferece cursos
que atuam na modalidade EaD ainda de uma forma acanhada, onde são poucos os
cursos oferecidos tais como: Administração Pública, Ciência Biológicas, Letra e
Pedagogia e que segundo sua metodologia os cursos a distância são oferecidos no
processo de seleção() e que está necessitando de uma abrangência
quanto ao oferecimento de mais cursos, sem tanta exigência tornando o acesso à população carente mais acessível.
Apresenta a carência da
população pernambucana de baixa renda, por não alcançar as formas de educação, presencial
e a distância, exatamente por não ter condição financeira e pelo baixo nível
educacional dificultando a continuidade dos estudos, em especial o EaD. Mas,
mesmo assim, continua vivendo sem condições de estudar, afastando-se de seu
objetivo, crescimento pessoal e profissional, tenta buscar uma colocação no
mundo competitivo do mercado de trabalho conforme a condição de sobrevivência
lhe for favorável.
Apresenta sugestões
sobre linhas de estudos e debate-se a possibilidade de usar
os recursos espaciais das novas tecnologias existentes levando ao conhecimento
nas instituições para que se tornem mais flexíveis e inovadoras à abrangência
desta modalidade a uma classe necessitada de educação superior e no
desenvolvimento tecnológico.
Pretende dar soluções e
apoio tanto aos órgãos públicos quanto aos particulares para que os mesmos
procurem atuar de maneira, mais prática e objetivas, nas questões sociais
tecnológicas e que se ajustem à nova realidade educacional, buscando o
desenvolvimento da classe de baixa renda classificadas como classes sociais D e
E, que por sua vez, torna-se desprovida de recurso financeiro até mesmo para
suprirem suas necessidades de alimentação, de vestimentas, de moradia entre
outras.
Definição
do problema
Hoje
a questão educacional no Brasil é bastante discutida e é do conhecimento da
sociedade que o investimento na educação do país tem sido de grande importância,
porém, a população carente ainda vem sofrendo com a falta de investimento.
O oferecimento de cursos na modalidade do ensino a distância com nível
de graduação por parte do Estado de Pernambuco para a população carente ainda
está a desejar, sendo que o EaD se recebido a devida importância, minimizaria a
distância dos estudantes carentes aos cursos de graduação.
Compreender o porquê da
dificuldade do Estado de Pernambuco em investir na educação na modalidade da
EaD para a população de baixa renda das classes sociais D e E.
Conceituar de forma simples a
modalidade de ensino a distância quanto a problemática educacional;
Analisar
as dificuldades de oferecimento dos cursos em EaD com nível de graduação no
Estado de Pernambuco;
Apresentar
possibilidade de usar os recursos virtuais das novas tecnologias existentes tais
como; computadores e acesso a internet para que se tornem viáveis à modalidade
do EaD para a classe de baixa renda.
Sabemos que a educação de um país é de suma importância para seu
desenvolvimento e para tanto, os investimentos nessa área são necessários.
Devido análise e
percepção da falta de oportunidade da população carente das classes sociais D e
E em que o estado de Pernambuco apresenta na questão educacional, onde mais
investimento na modalidade de EaD seria de grande valia para esta classe
desfavorecida. Com base nesta questão, é que sentimos a necessidade de
estudarmos de forma mais profunda e propomos realização deste trabalho.
Na educação a modalidade
de EaD, é vista ainda com muito preconceito por parte de algumas pessoas,
devido à falta de informação sobre este assunto. Quando fazemos perguntas tais
como: “o que você acha do EaD?”, percebemos o desconhecimento do termo “EaD”,
mas quando se fala “ensino a
distância” as pessoas já sabem até do que se trata, mas não sabem como
funciona e se tem o devido reconhecimento das instituições. Com esta
preocupação em querer explicar de forma mais simplificada é que também buscamos
realizar este estudo.
Como forma de encontrar
alternativas e dar sugestões quanto à possibilidade de usar os recursos virtuais
na internet promovendo mais o acesso para a classe de baixa renda, e assim
buscarem na modalidade de EaD o caminho da graduação.
Os objetivos
formulados para este trabalho, consistem nas análises da modalidade de EaD e
sua contribuição para a classe de baixa renda do estado de Pernambuco. Será
necessário fundamentar e mencionar considerações pertinentes à classificação do
tipo de pesquisa e a forma como esta será conduzida. Como objetivos definidos, a pesquisa está
estruturada qualitativa e quantitativa usando referenciais metodológicas,
pesquisas bibliográficas e de campo. Segundo o consagrado escritor e editor
Richardson (2009, p.79) a investigação qualitativa é uma forma adequada para
entender a natureza de um fenômeno social, por isso foi usado este tipo de
investigação.
Ressaltada
a variedade existente entre trabalhos qualitativos e enumeradas as suas
características, Godoy (1995, p.62) ressalta que o ambiente natural serve como
fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento natural; o caráter descritivo;
o significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida como preocupação do
investigador; enfoque indutivo.
O
trabalho de descrição, segundo Manning (1979, p.668) é fundamental em um estudo
qualitativo, pois é por meio dele que os dados são coletados.
A
opção por este tipo de pesquisa foi considerar neste sentido, seus objetivos
definidos, vez que o tema constitui-se um problema complexo que está
relacionado por relações sociais, políticos e econômicos, exigindo uma análise
crítica na intenção de compreender melhor sua profundidade. Constam de entrevistas
concedidas por alunos e professores de uma universidade do estado de Pernambuco
com objetivo de fornecer análise de conteúdo da qualidade do tema proposto. A
análise dos dados coletados foi realizada como análise de conteúdo, por se
tratar de um problema como pretensão de abordagem de uma maneira qualitativa.
Segundo
Holsti apud Richardson (2009, p 224), a análise de conteúdos é a aplicação de
métodos científicos a uma evidência documentária. Para Severino (2007, p 121)
trata-se de se compreender criticamente o sentido manifesto ou oculto das
comunicações. Por isso neste artigo será verificado a adequação deste
procedimento como análise de conteúdo.
Ao trabalhar com evidência
nas informações no decorrer, este recorre a fontes bibliográficas para
aprofundar seu conhecimento sobre o tema, disponibilizadas em páginas da
internet, que servem como meios para coleta das informações.
2. CONCEITO DE
EAD
O EAD
(Ensino à Distância) é conceituado segundo a legislação brasileira, conforme os
Decretos nº 2.494/98 e nº 5.622/2005, onde é caracterizado como uma modalidade
educacional didático-pedagógica que é beneficiado pelas tecnologias de
informação e comunicação sem limites de espaço.
Art.1º-
Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem,
com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados
em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e
veiculados pelos diversos meios de comunicação. Decreto nº 2.494/98
Art.1º-
...caracteriza-se a educação
a distância modalidade educacional na qual a mediação
didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e
professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. Decreto nº 5.622/2005.
Para
Garcia o ensino a distância reúne elementos centrais para caracterização desta
modalidade como uma nova forma pedagógica ao caminho da aprendizagem que reúnem
vários tópicos como: separação do professor e aluno no espaço, que está
relacionado tanto ao lugar quanto ao tempo; o aluno tem o controle mais
rigoroso do seu aprendizado do que o professor; os alunos e os professores se
comunicam e esta comunicação é realizada por meio de documentos impressos ou de
forma tecnológica garantindo o seu registro. O EaD é caracterizado para ele
como sendo um sistema de tecnologia da comunicação de uma forma bidirecional,
ou seja, os alunos e professores se interagem de uma maneira especial no ensino
a caminho de uma aprendizagem individual de forma organizada usando vários
recursos tecnológicos com didáticas diversificadas.
“Educação à Distância (EaD) é uma sistema tecnológico de
comunicação bidirecional, que substitui o contato pessoal professor/aluno, como
meio preferencial de ensino, pela ação sistemática e conjunta de diversos
recursos didáticos e pelo apoio de uma organização e tutoria, que possibilitam
a aprendizagem independente e flexível dos alunos.” - Garcia ()
De acordo com Litwin (2001), o
EAD é considerado como uma modalidade de ensino com características
específicas, caracterizando-se pela utilização de uma multiplicidade de
recursos pedagógicos, objetivando a construção do conhecimento, na qual
apresenta excelentes possibilidades da modalidade para a educação permanente.
Para
que esta modalidade seja eficiente é preciso que os professores sejam
preparados com conteúdo, domínio pedagógico, até os recursos técnicos com
habilidades necessárias para os usos dos equipamentos que segundo Litwin sustenta
que o saber básico de um docente inclui pelo menos:
- conhecimento
pedagógico de tipo real, especialmente no que diz respeito às estratégias
e à organização da classe;
- conhecimento
curricular;
- conhecimento
pedagógico acerca do conteúdo;
- conhecimento
sobre os contextos educacionais; e
- conhecimento das
finalidades, dos propósitos e dos valores educativos e de suas raízes
históricas e filosóficas.()
Segundo Alves o ensino a distância, em sua
estrutura organizacional e o seu desenvolvimento é completamente de uma forma
diferenciada em relação à modalidade presencial, onde no EaD a forma de
tecnologia está sempre presente e exige uma nova postura tanto do professor
quanto do aluno.
Acrescenta
também, para que esta modalidade seja exercida, além das novas tecnologias, faz-se
necessário contar com uma infra-estrutura organizacional complexa (técnica,
pedagógica e administrativa). Só uma formação de uma equipe bem preparada irá
desenvolver o ensino a distância de uma boa qualidade organizando cada curso, e
definindo a natureza do ambiente online em
que será criado.()
A
realidade do EaD é cada vez mais visível e consistente devido aos sistemas
educativos encontrarem-se defasados na questão da evolução do saber o que exige
uma pedagogia mais atualizada, onde as universidades estão abarrotadas e as
pessoas buscam cursos menos uniformes e que não correspondem com a realidade,
que assim diz Levy
“Os sistemas educativos encontram-se hoje
submetidos a novas restrições no que diz respeito a quantidade, diversidade e
velocidade de evolução dos saberes. Em um plano puramente quantitativo, a
demanda de formação é maior do que nunca. As universidades transbordam. Os
dispositivos de formação profissional e contínua estão saturados. Quase metade
da sociedade, está ou gostaria de estar na escola.” “ Os indivíduos toleram
cada vez menos seguir cursos uniformes ou rígidos que não correspondem a suas
necessidades reais e à especificidades de seu trajeto de vida.” Lévy()
Para
ilustramos com mais clareza a questão do ensino a distância mencionamos a baixo
uma tabela onde mostra um paralelo entre as funções exercidas por um professor
e por um tutor, pesquisada da fonte de trabalho realizado pela Iranita Sá. ()
Tabela – Paralelo entre as Funções do Professor e do Tutor:
EDUCAÇÃO PRESENCIAL
|
EDUCAÇÃO A
DISTÂNCIA
|
Conduzida pelo
Professor
|
Acompanhada pelo
tutor
|
Predomínio de
exposições o tempo inteiro
|
Atendimento ao
aluno, em consultas individualizadas ou em grupo, em situações em que o tutor
mais ouve do que fala
|
Processo centrado
no professor
|
Processo centrado
no aluno
|
Processo como fonte
central de informação
|
Diversificadas
fontes de informações (material impresso e multimeios)
|
Convivência, em um
mesmo ambiente físico, de professores e alunos, o tempo inteiro
|
Interatividade
entre aluno e tutor, sob outras formas, não descartada a ocasião para os
“momentos presenciais”
|
Ritmo de processo
ditado pelo professor
|
Ritmo determinado
pelo aluno dentro de seus próprios parâmetros
|
Contato face a face
entre professor e aluno
|
Múltiplas formas de
contato, incluída a ocasional face a face
|
Elaboração,
controle e correção das avaliações pelo professor
|
Avaliação de acordo
com parâmetros definidos, em comum acordo, pelo tutor e pelo aluno
|
Atendimento, pelo
professor, nos rígidos horários de orientação e sala de aula
|
Atendimento pelo
tutor, com flexíveis horários, lugares distintos e meios diversos
|
Como
podemos observar na comparação da tabela entre o professor presencial e o
professor do EaD, ora chamado de tutor para esta modalidade, há um dinamismo e
uma maior flexibilidade por parte do tutor no que diz respeito ao
acompanhamento da aprendizagem, sendo
que a responsabilidade torna-se maior por parte dos alunos, vez que os mesmos
procuram exercer suas atividades de uma forma autônoma dentro do tempo
estabelecido pelos cursos. Contudo, este acompanhamento pelo tutor deve ser
feito dentro do mais perfeito rigor para que sejam cumpridas as normas
estabelecidas nesta modalidade e não deixem os alunos se dispersarem e assim
não perderem o foco do objetivo principal que é o conhecimento. O dinamismo, a
criatividade, a metodologia, o domínio da disciplina e o conhecimento técnico
no uso de todas as tecnologias que o EaD dispõe, exige que o tutor tenha que
sempre permanecer atualizado, afim de que esta modalidade não caia no marasmo educacional,
pois é o que podemos observar na maioria das vezes com a modalidade presencial.
3. HISTÓRICO DO
EAD E SEU INÍCIO NO BRASIL
O
EaD como caracterização de educação, segundo Voigt e Leite não é novo, pois
confirmam que o que tem mudado primordialmente são as tecnologias que são
usadas em diferentes formas de projetos e cursos de EaD.()
. Segundo Litwin esta modalidade de educação surgiu no final do século
XIX, com as instituições particulares dos EUA e da Europa que ofereciam cursos
por correspondências destinados ao ensino dos temas vinculados a ofício de
escasso valor acadêmico. Muitos não acreditavam no seu potencial, pois parecia
que era um estudo para os que fracassaram na via escolar convencionais. Somente
na década de 1960, com a criação de universidades à distância que competiam com
a modalidade presencial, foi possível superar muitos preconceitos da EaD.
Otto
Peters vai mais além, em relação à história do EaD quando coloca que esta
modalidade de ensino se desenvolveu e teve início “desde as primeiras
tentativas singulares na antiguidade até a difusão inesperada e surpreendente
desta forma de ensino e aprendizagem por todo mundo na segunda metade do século
XIX”().
Afirma que as primeiras experiências em passar os ensinamentos por meio do EaD foram
de forma específica e isolada tendo sido concebidas como algo de muita
relevância para quem estava ligado com a religião. Para ele quem primeiro usou
esta modalidade de educação com o uso da tecnologia da época (a escrita), em
sua concepção, parece ter sido feito pelo apóstolo Paulo que considerava como
meio de transporte para realizar seu trabalho missionário sem se esforçar a
viajar, utilizando-se das cartas/epístolas para realizar seus ensinamentos
substituindo a pregação presencial por meio assíncrono e imediato, isso para Peters,
é “uma abordagem baseada na tecnologia, ainda pré-industrial”. ()
No
Brasil, o EaD iniciou de uma forma perceptível pelo ensino por correspondência
estando voltado à formação de profissionais e posteriormente tendo como auxílio
os meios de comunicações. As instituições privadas e as ONGs (organizações não
governamentais) deram continuidade com grandes contribuições com inovações ao
processo de ensino nesta modalidade começando também a oferecer aulas via
satélites com materiais impressos para os cursos de supletivos à distância.
Com o aparecimento e expansão da internet surgiu a
universidade virtual, onde depois de muito esforço e luta para conquistar seu
espaço, utilizando-se das tecnologias de comunicação e informação existentes,
conseguiu enfim, seu reconhecimento como nível superior.
Em 20 de dezembro de
1996, com o surgimento da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), o EaD foi
oficializado, reconhecido como modalidade válida para todos os cursos que se
enquadrem no perfil educacional do país. Com o reconhecimento desta modalidade
por meio de Lei, Decretos e Portarias, como forma de regulamentação, controle e
orientação, o EaD, até então um pouco considerado pela sociedade, houve uma
assensão e valorização ao ponto de haver um crescimento estatístico além do
previsto, que conforme os dados do ABRAEAD (Anuário Brasileiro Estatístico de
Educação à Distância) edição 2007, onde nos informa que nos anos de 2004 a 2006
o aumento foi significativo com um salto de 309.957 para 778.458 de alunos que
estudaram na modalidade do EaD no Brasil.
O EaD – Ensino a Distância - no Brasil
vem crescendo consideradamente nos últimos tempos, que conforme o Ministério da Educação, dados revelam que a cada cinco novos
alunos que pretendem realizar um curso de graduação, um prefere a modalidade à
distância e relata que do ano de 2000 para 2010, a quantidade de matrículas passou
de 5.287 para 930.179, onde o número de instituições credenciadas já chegam há
222 que estão oferecendo 930 cursos de graduação à distância.
Postado na internet por Maiky Soares(), relatamos abaixo as datas com suas
respectivas informações históricas e como se
processou a implantação, ao longo de décadas, na modalidade do ensino a distância - EaD no Brasil:
·
1923 – Fundação
da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
· 1936 – Doação da Radio Sociedade do Rio de Janeiro
ao Ministério da Educação e Saúde.
·
1937 – Criação do Serviço de
Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação.
·
1959 – Inicio das escolas radiofônicas
em Natal (RN).
·
1960 – Inicio da ação sistematizada do
Governo Federal em EAD; contrato entre o MEC e a CNBB: expansão do sistema de
escolas radiofônicas aos estados nordestinos, que faz surgir o MEB – Movimento
de Educação de Base – sistema de ensino a distância não-formal.
·
1965 – Inicio dos trabalhos da Comissão
para Estudos e Planejamento da Radiodifusão Educativa.
·
1966 a 1974 – Instalação de oito
emissoras de televisão educativa: TV Universitária de Pernambuco, TV Educativa
do Rio de Janeiro, TV Cultura de São Paulo, TV Educativa do Amazonas, TV
Educativa do Maranhão, TV Universitária do Rio Grande do Norte, TV Educativa do
Espírito Santo e TV Educativa do Rio Grande do Sul.
·
1967 – Criada a Fundação Padre Anchieta e
mantida pelo Estado de São Paulo com o objetivo de promover atividades
educativas e culturais através do rádio e da televisão (iniciou suas
transmissões em 1969): constituída a Feplam (Fundação) Educacional Padre
Landell de Moura), instituição privada sem fins lucrativos, que promove a
educação de adultos através de teleducação por multimeios.
·
1969 – TVE Maranhão/CEMA – Centro
Educativo do Maranhão: programas educativos para a 5ª serie, inicialmente em
circuito fechado e a partir de 1970 em circuito aberto, também para a 6ª serie.
·
1970 – Portaria 408 – emissoras
comerciais de rádio e televisão: obrigatoriedade da transmissão gratuita de
cinco horas semanais de 30 minutos diários, de segunda a sexta– feira, ou com
75 minutos aos sábados e domingos. É iniciada em cadeia nacional a serie de
cursos do Projeto Minerva, irradiando os cursos de Capacitação Ginasial e
Madureza Ginasial, produzidos pela Feplam e pela Fundação Padre Anchieta.
·
1971 – Nasce a ABT – inicialmente como
Associação Brasileira de Tele–Educação, que já organizava desde 1969 os
Seminários Brasileiros de Teleducação atualmente denominados Seminários
Brasileiros de Tecnologia Educacional. Foi pioneira em cursos à
distância, capacitando os professores através de correspondência.
·
1972 – Criação do Prontel – Programa
Nacional de Teleducação – que fortaleceu o Sinred – Sistema Nacional de
Radiodifusão Educativa.
·
1973 – Projeto Minerva passa a produzir
o Curso Supletivo de 1º Grau, II fase, envolvendo o MEC, Prontel, Cenafor e
secretarias de Educação.
·
1973-74 – Projeto SACI conclusão dos
estudos para o Curso Supletivo "João da Silva", sob o formato de
telenovela, para o ensino das quatro primeiras séries do lº grau; o curso
introduziu uma 2 inovação pioneira no mundo, um projeto – piloto de tele – didática
da TVE, que conquistou o prêmio especial do Júri Internacional do Prêmio Japão.
·
1974 – TVE Ceará começa a gerar tele-aulas;
o Ceteb – Centro de Ensino Técnico de Brasília – inicia o planejamento de
cursos em convênio com a Petrobras para capacitação dos empregados desta
empresa e do projeto Logus II, em convênio com o MEC, para habilitar
professores leigos sem afastá–los do exercício docente.
·
1978 – Lançado o Telecurso de 2º Grau,
pela Fundação Padre Anchieta (TV Cultura/SP) e Fundação Roberto Marinho, com
programas televisivos apoiados por fascículos impressos, para preparar o
tele-aluno para os exames supletivos.
·
1979 – Criação da FCBTVE – Fundação
Centro Brasileiro de Televisão Educativa/MEC; dando continuidade ao Curso
"João da Silva", surge o Projeto Conquista,
também como telenovela, para as ultimas séries do primeiro grau; começa a
utilização dos programas de alfabetização por TV – (MOBRAL), em recepção
organizada, controlada ou livre, abrangendo todas as capitais dos estados do
Brasil.
·
1979 a 1983– É implantado, em caráter
experimental, o Posgrad – pós-graduação Tutorial à Distância – pela Capes –
Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior – do MEC,
administrado pela ABT – Associação Brasileira de Tecnologia Educacional – com o
objetivo de capacitar docentes universitários do interior do país.
·
1981 – FCBTVE trocou sua sigla para
FUNTEVE: Coordenação das atividades da TV Educativa do Rio de Janeiro, da Radio
MEC-Rio, da Radio MEC-Brasília, do Centro de Cinema Educativo e do Centro de
Informática Educativa.
·
1983/1984– Criação da TV Educativa do
Mato Grosso do Sul. Inicio do "Projeto Ipê", da Secretaria da
Educação do Estado de São Paulo e da Fundação Padre Anchieta, com cursos pura
atualização e aperfeiçoamento do magistério de 1º e 2º Graus, utilizando–se de
multimeios.
·
1988 – "Verso e Reverso – Educando
o Educador": curso por correspondência para capacitação de professores de
Educação Básica de Jovens e Adultos/ MEC Fundação Nacional para Educação de
Jovens e Adultos (EDUCAR), com apoio de programas televisivos através da Rede
Manchete.
·
1991 – 0 "Projeto Ipê" passa a
enfatizar os conteúdos curriculares.
·
1991 – A Fundação Roquete Pinto, a
Secretaria Nacional de Educação Básica e secretarias estaduais de Educação implantam
o Programa de Atualização de Docentes, abrangendo as quatro series
iniciais do ensino fundamental e alunos dos cursos de formação de
professores. Na segunda fase, o projeto ganha o titulo de "Um salto para o
futuro".
·
1992 – 0 Núcleo de Educação a Distância
do Instituto de Educação da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), em
parceria com a Unemat (Universidade do Estado do Mato Grosso) e a Secretaria de
Estado de Educação e com apoio da Tele-Universite du Quebec (Canadá), criam o
projeto de Licenciatura Plena em Educação Básica: 1º a 4º series do 1º grau,
utilizando o EAD. Curso é iniciado em 1995.
·
1996 – Lei de Diretrizes e Bases da
Educação. Regulamenta a EaD no Brasil.
As circunstâncias que
fazem com que o EAD tenha esta relevância e sua ascensão são exatamente o fator
histórico, político e social. Histórico porque desde muito tempo como já foi
mencionada, esta modalidade já vinha sendo exercida
de uma maneira sutil de acordo com os padrões de sua época, sendo usadas
exatamente as tecnologias existentes e compatíveis aos desafios propostos à sua
eficácia. Político porque toda mobilização por parte das pessoas que a
utilizavam já havia um interesse para o aperfeiçoamento das técnicas
existente em cada época assim como no início as cartas, apostilas, etc. e as
tecnologias atuais como internet, celulares, entre outras, buscando-se assim
uma nova forma de informação no mundo do conhecimento
ressaltando-se de maneira mais sólida cada vez em que se aprimorava no tempo. Social
porque toda a sociedade evolui naturalmente com o conhecimento humano. Com essa evolução esta modalidade torna-se possível
para os nossos dias ao alcance de todos.
4. DIFERENÇA
ENTRE ENSINO E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
É
necessário considerarmos que, o termo EaD, para os estudiosos
nesta modalidade, é tratado como Ensino à Distância
e para outros nos é colocado como Educação à Distância.
Analisando no sentido mais amplo, as palavras
Ensino e Educação terão uma significação, cada uma em seu contexto
diferenciada. Poderemos realmente, darmos uma interpretação mais acentuada para
a modalidade EaD.
Analisando de forma mais sintética, que a palavra
Ensino tenha um sentido mais amplo de que todos podem ensinar de tudo para
todos, porém, sem tanta preocupação do que está sendo ensinado sem dá ênfase ao
crescimento de forma pessoal a quem está recebendo a informação. Exemplo, um
pai pode ensinar a pregar um prego na parede ao seu filho, uma mãe pode ensinar
os serviços domésticos aos seus filhos, até mesmo num sentido mais cruel, um
marginal ensina aos seus comparsas as coisas que nem ele mesmo deveria fazer e
assim todos aprendem.
Se analisarmos de forma também mais sintética, a
palavra Educação tem também um sentido amplo de correção
individual de modificação das pessoas, porém com
uma conotação mais eficaz que busca sempre a construção interpessoal de uma
forma edificante na formação de quem procura o conhecimento para e seu
crescimento pessoal.
Como podemos analisar as duas palavras, têm um
sentido que leva a aprendizagem. O que podemos perceber é que a Educação tem um
sentido primordial ao crescimento da pessoa. Vale ressaltar que quem realmente
deseja o aprendizado e o conhecimento, deve estar disposto a recepcionar as
informações de forma assídua e comprometedora que o faça levar a uma
disponibilidade ou aspire um desejo ao conhecimento.
Independentemente
da modalidade adotada, as palavras educação e ensino, são usadas frequentemente
como sinônimos, sendo que seus significados estão assemelhados, onde é preciso,
porém distingui-las.
Sem
procuramos por teorias muito sofisticadas, uma consulta aos dicionários pode
ajudar. Para Aurélio, assim define
educação e ensino:
"Educação-Processo de desenvolvimento da
capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social”.
“Ensino-Transmissão de conhecimentos, de
informações ou de esclarecimentos úteis ou indispensáveis à educação”. ()
Caldas
Aulete concorda com as definições de Aurélio, onde para ele:
“Educação é ato e efeito de educar, de
desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais da
criança e, em geral, do ser humano e o Ensino é a ação de ensinar; instrução,
ensinamento, educação".
No livro “Psicologia da Aprendizagem”
de Samuel Pfromm Netto, essas definições são elucidadas, havendo uma concordância
para essas definições, no que diz a respeito da educação e do ensino:
"A educação é concebida como um conjunto
de experiências pessoais ativas, dinâmicas, mutáveis por meio das quais o indivíduo seleciona, absorve e incorpora
informações, relacionando-as com as que já dispõem em seu repertório e as reorganiza expressa ou utiliza para criar
novas informações, orientar suas ações, Agir junto
a outras pessoas ou modificar o ambiente. O Ensino é essencialmente uma relação
de ajuda ou de auxílio interpessoal, na qual alguém que
dispõe de mais experiência e mais conhecimentos influencia outras pessoas de várias maneiras: leciona, orienta, mostra,
explica, demonstra, exemplifica, pergunta, responde, estimula, corrige, dirige
debates, supervisiona, esclarece, prepara, propõe e acompanha atividades,
incentiva e guia quem aprende quanto ao uso adequado de materiais e recursos,
facilita a compreensão e o desempenho adequados, fornece os preceitos ou
fundamentos de uma ciência, técnica arte ou habilidade."()
No
que tange a questão do EaD, podemos acreditar que para esta modalidade a
terminologia mais propícia no sentido instrucional é pertinente usarmos a
linguagem da palavra Educação, pois quando usamos a tecnologia adequada é para
formação de cada pessoa que se beneficia da informação para o seu conhecimento
e sucessivamente o seu crescimento na aprendizagem. Em se tratando de apenas
uma informação, um vídeo, uma correspondência, uma interação, podemos, assim
definirmos o EaD com o significado da palavra Ensino pois, trata-se apenas de
uma mera informação sobre algo, sem ter muita conotação no caráter educacional.
Conforme
Moran na modalidade do EaD a expressão fundamentada-se de que o “ensino a
distância” tem como papel principal a do professor, o que nos traz aqui um
sentido de ensino, pois só o professor é quem diz o que se vai aprender e o
aluno não está totalmente interligado no processo de educação.
“Educação a distância é o processo de ensino-aprendizagem, mediado por
tecnologias, onde professores e estudantes estão separados espacial e/ou
temporalmente. É ensino/aprendizagem onde professores e estudantes não estão
normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados, interligados por
tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet, mas também podem
ser utilizados o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone,
o fax e tecnologias semelhantes.” - Moran.()
Como
a palavra educação abrange algo mais, no EaD não poderia ser diferente, onde a
interação entre professor e aluno é mais assídua e que se beneficia do
planejamento, da direção e instrução da organização do ensino.
Para Moore e Kearsley a definição do conceito de
educação no EaD é mais acentuada.
“Educação a distância é o aprendizado
planejado que normalmente ocorre em lugar diverso do professor e como
consequência requer técnicas especiais de planejamento de curso, técnicas
instrucionais especiais, métodos especiais de comunicação, eletrônicos ou
outros, bem como estrutura organizacional e administrativa específica.” – Moore
e Kearley().
Para
Marina Vianna, em seu blog, utiliza a ideia base do professor Eduardo Chaves quando
define que “a Educação a Distância é uma modalidade da Educação”, o que não
deixa de ser óbvio, e que, para ela, continuando com o pensamento do professor,
além do Ensino à Distância, usa a expressão Educação Colaborativa à Distância
que estão inseridas na Educação à Distância onde parte de um todo que é a
Educação.
“A Educação a Distância é
uma modalidade da Educação e dentro desta há, digamos, modelos que você pode optar para atender as suas
necessidades, onde os mais utilizados são o Ensino a Distância e a Educação
Colaborativa a Distância. No Ensino a Distância prioriza-se o conteúdo, não há
muito foco em interações, nessa estrutura, quando há outro recurso além dos
textos, vídeos ou áudios, são questões de respostas objetivas, que não visam
estimular debates. Na Educação Colaborativa a Distância ocorre o contrário, as
interações entre os envolvidos no curso são vitais para um melhor
aproveitamento do curso, são valorizadas as experiências que os alunos tem
sobre o tema do curso e as interações que acontecem.”
E ela nos
coloca também, com embasamento em suas pesquisas, a diferença entre as siglas EaD
e EAD.
“EaD significa Educação a Distância.
EAD significa Educação Aberta a Distância.
Portanto, não existe o EaD, o correto é a EaD”.()
A Lei nº 9.394/96 – LDB (Lei
de Diretrizes de Base) trata, em seu artigo 80 e
seus respectivos parágrafos, de uma maneira própria da especificação de curso na
modalidade da educação à distância, enfatizando ao Poder Público o incentivo ao
desenvolvimento e a veiculação de programas desta modalidade:
Art.
80º. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas
de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de
educação continuada.
§ 1º.
A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será
oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.
§ 2º.
A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma
relativo a cursos de educação à distância.
§ 3º.
As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a
distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas
de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas.
§ 4º.
A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá:
I -
custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e
de sons e imagens;
II -
concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas;
III -
reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários
de canais comerciais. ()
Este artigo expressa a intenção clara de que a legislação brasileira
não quis distinguir a questão de Ensino e Educação, pois resalta as palavras
educação e ensino como sinônimos, apenas menciona
que o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas
nesta modalidade, porém os Decretos nº
2.494/98 e nº 5.622/2005 dão ênfases à expressão dada para esta modalidade como
Educação à Distância.
A Educação, sem dúvida nenhuma, poderá acontecer
através do ensino, e que este poderá ser feito a distância. Como a educação
pode acontecer também por meio da autoaprendizagem, onde a aprendizagem ocorre
por meio de orientação ou por meio do esforço individual e que é provocada também
por meio do processo de ensino dando-se o conhecimento.
É importante esclarecer que, esses
termos Educação e Ensino, são meramente formas de linguísticas, e que no
decorrer da explanação tornou-se esclarecedora entre uma palavra e outra, e o
que vale ressaltar é o sentido da modalidade EaD ter uma atenção especial, pois
pode auxiliar com eficiência o aprendizado individual.
5. REALIDADE
DO EAD PARA A POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA EM PERNAMBUCO.
A Educação sendo
um direito de todos e uma obrigação por parte do Estado e da Família, e
juntamente com a Sociedade, terá que promover e incentivar de maneira
colaborativa o desenvolvimento da pessoa, tanto individual quanto profissional,
para formação da cidadania, conforme menciona a Constituição brasileira de
1988:
Art.. 205 - A educação, direito de todos e
dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será
ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para
o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender,
ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de
concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de
ensino;
IV - gratuidade do ensino
público em estabelecimentos oficiais;
Art. 207. As universidades
gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e
patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão.
Art. 208 - O dever do Estado com a educação será efetivado mediante
a garantia de:
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da
pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
Artigo 209 O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as
seguintes condições:
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo poder
público.
Art.
227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente
e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação,
à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão. ()
O EaD como sendo uma das
modalidade da educação, se faz necessário a abrangência de toda sociedade e
para tanto, houve a necessidade de sua oficialização e legalização, como já
mencionamos anteriormente, com a Constituição Federal, com a Lei de Diretrizes
de Base (LDB) e com os Decretos
nº 2.494/98 e nº 5.622/2005 que tem também a mesma visão e o mesmo propósito na
educação da pessoa que é o de exercer a
cidadania e se qualificar profissionalmente.
O quantitativo de
instituições de ensino existente no país, mais especificamente em nosso Estado,
que vem oferecendo o conhecimento específico na esfera educacional desta
modalidade, ainda não é um número suficiente no que se refere à oferta de
cursos por parte das instituições, pois segundo o MEC, em Pernambuco existem 82
cursos na modalidade à distância contra 213 na modalidade presencial e que se conclui uma defasagem nesta
modalidade.
Podemos também analisar
que além de existir uma defasagem nesta modalidade, grande parte da população
carente (classes D e E) não está sendo assistida na educação tanto por parte do
governo quanto por parte das instituições particulares.
Enquanto o governo que reprensa o Estado “vem se esforçando” em
busca de uma educação de qualidade, ainda está muito a quem da realidade. Por
sua vez, as instituições de ensino fornecem uma educação nos moldes da base
econômica, com mensalidades caras onde a acessibilidade também está ao alcance
dos que têm condições financeiras ajustadas e/ou promissoras à de classe A ou
àqueles de classe B e C, que por acaso conseguiram uma bolsa de estudo
integral, limitadas pelas próprias instituições ou pelo governo ou uma bolsa de
estudo parcial, onde procura pagar com maior esforço parte das mensalidades
ajustadas pela bolsa oferecida, onde temos como exemplo o Prouni (),
o Educa mais Brasil - Bolsas de Estudos ()
e outros.
Há um esforço
por meio de projetos por parte do governo federal em busca de uma educação de
qualidade na modalidade do EaD em todo o país para todos os cidadãos, tanto no
âmbito da União Federal, como no estadual por meio das instituições de ensino
como exemplo, no estado de Pernambuco a UFPE, URFPE e IFPE, UPE, ETEPAM e
outras. Também há esforço por parte da iniciativa privada nesta modalidade,
onde podemos perceber investimentos de alta tecnologia que impactam no
cotidiano na sociedade, porém, ainda não é o suficiente.
Podemos ainda perceber, que mesmo com alguns investimentos, a
preocupação do governo do estado de Pernambuco e da iniciativa privada em
oferecer uma educação de qualidade à sociedade, a população carente não está
sendo assistida em sua totalidade ou de forma efetiva, tendo ainda que se
submeter à reciclagem nos estudos para conseguirem uma vaga por causa dos processos
de seleções existentes. Como exemplo, temos sua própria instituição estatal a UPE (Universidade de
Pernambuco) que atua nesta modalidade de uma forma acanhada, onde são poucos os
cursos oferecidos tais como: Administração Pública, Ciências Biológicas, Letra
e Pedagogia e que segundo sua metodologia “Os Cursos a distância que ora oferecemos o
processo de seleção...”, conforme site do curso de EaD() e
que segundo pesquisas realizadas com estudantes da instituição UPE, que não
quiseram se identificar, “o sistema não é tão avançado”, porém, “dá para
continuar” e que só estudava no curso que estava, porque “a instituição não
oferecia outro de seu interesse”, “não tem tempo de estudar em um curso
presencial” e “uma vez que já passou pelo processo seletivo não irá passar por
tudo para frequentar outro curso” e que também pesquisas realizadas com alguns
professores desta mesma instituição que também não quiseram se identificar, “precisa
ampliar o quadro dos cursos”, “mais treinamento dos profissionais”, “avaliação
dos profissionais bem como seus desempenhos com treinamentos” e “valorização
dos profissionais com seus vencimentos atualizados”. Como podemos perceber, esta
instituição necessita de uma reformulação quanto ao oferecimento de mais cursos
e simplificar o acesso da população carente, onde o nível escolar da população
de baixa renda, classes D e E, não dão condições para alcançar as diferentes
formas de educação, em especial à de EAD e assim viverem isolados, afastados,
tentando buscar uma colocação no mercado de trabalho, cada vez mais
competitivo.
Infelizmente muitas instituições ainda não estão
preparadas para a questão da educação em relação ao EaD e que ela chegue à
população carente, ou se estão, não há interesse por parte das mesmas devido a dificuldades
ou burocracias de incentivo do governo em
parecer que a educação caminhe em passos vagarosos e assim não alcance o
auge necessário para o real desenvolvimento social.
A população carente necessita de mais empenho
governamental na modalidade do EaD, pois as tecnologias estão cada vez mais,
invadindo nosso convívio social, onde cada pessoa se depara no seu dia-a-dia
com as altas tecnologias existentes no mundo dos negócios. As empresas cada vez
mais equipadas, os bancos modernizando suas automações, os celulares mais
inovadores, as pessoas que não acompanharem estas evoluções ficarão
desatualizadas. Com essa realidade, a pessoa que não acompanhar a evolução
tecnológica viverá de certa forma, “excluída” da vida educacional e
profissional, e assim lhes restando poucas alternativas de sobrevivência,
procurando meios alternativos como subempregos e até mesmo atividades informais.
O
Estado de Pernambuco vem dando grandes passos na economia em busca de uma
sociedade sólida. No que se refere ao ensino a distância (EaD) é pertinente
lembrar que, quanto a esta modalidade, o governo do Estado de Pernambuco tem se
mobilizado a oferecer cursos de qualificações profissionais de nível técnico e
graduação, mas sempre com número reduzido de vagas, onde novamente percebemos
as limitações para aqueles que não têm condições de suprirem essas exigências e
assim ficam só no desejo de se qualificarem para o mercado.
No que se refere à questão dos números de vagas, que
são necessários, sendo compreensivo, até porque o Estado de Pernambuco não oferece
um quantitativo compatível de instalações físicas equipadas, devido ao grande número
de estudantes que concluem o ensino médio, desejando encontrar uma graduação
que seja compatível à sua característica pessoal ou pelas oportunidades que o
mercado está oferecendo, como é o caso de Pernambuco atualmente. Quando mencionamos limites de vagas e os processos seletivos fazendo com
que muitos alunos cujo nível de educação baixo não tenha acesso aos cursos,
queremos enfatizar que as exigências para tais cursos ofertados pelo governo
não deveriam realizar as seleções de forma categórica e eliminatória com provas
de conhecimentos superior ao que os estudantes alcançaram nos estudos obtidos
até o momento.
Há
um investimento acanhado por parte do governo do estado de Pernambuco no
segmento desta modalidade do EaD em graduação, como já mencionamos anteriormente,
porém o que pode-se observar é que, há problemas a serem superados quanto ao
oferecimento dos cursos ofertados, tais como: falta de difusão (mídia), sistema
impróprios, inadequados ou problemáticos, falta de treinamento dos
profissionais da área, o uso de software livre que é pouco divulgado, vagas
limitadas, pouco ambiente físico.
Em Pernambuco o oferecimento na
modalidade de ensino à distância tem sua precariedade, devido a má
administração por parte não dos recursos findos do governo federal, mas devido
a falta de aproveitamento desses recursos que são maus elaborados ou
distribuídos não resultando na melhor forma como deveria ser o seu real
investimento. Não queremos criticar a forma de como está sendo administrados
estes recursos, mas apenas lembrar que a educação nesta modalidade carece de
mais atenção.
6. POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA A POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA TER ACESSO À MODALIDADE EAD NO
ESTADO DE PERNAMBUCO
Ao falarmos em limites de vagas e as
exigências para os cursos ofertados pelas instituições públicas e particulares
na modalidade do EaD, sabe-se que, as instituições particulares não oferecem
condições para a população carente devido as suas mensalidades que não estão ao
alcance das classe D e E, a não ser por meio do incentivo governamental
(bolsas) e a instituição pública de Pernambuco (UPE) suas vagas são poucas motivo
do quantitativo dos cursos ofertados (Administração Pública, Ciências
Biológicas,
Letra e Pedagogia) e a sua seleção é de forma categórica e eliminatória “Os Cursos a distância
que ora oferecemos no processo de seleção...” , restringem os que desejam uma educação específica conforme cada pretensão individual ou as que são
oferecidas pelo mercado de trabalho.
Devido às circunstâncias mencionadas,
apresentamos possíveis soluções oportunas para a modalidade do EaD em
Pernambuco, em especial atenção ao governo do estado por meio de suas
instituições afim de observação e análise, e possível ajuste no sistema
educacional:
a)
Cursos compatíveis com o momento
atual da economia de Pernambuco;
b)
Adequar as universidades para a
modalidade de ensino a distância - EaD;
c)
Sistemas de Tecnologia adequados a modalidade EaD;
d)
Mais valorização dos professores (com
vencimentos adequados e treinamentos
dos profissionais da área);
e)
Publicidade com informações sobre a
modalidade EaD;
f)
Parceria com as operadoras de
telefonia para garantir o acesso à internet adequado ao EaD;
g)
Incentivos econômicos financeiros
para os estudantes de baixa renda da modalidade EaD.
O governo também deveria dar mais
estruturas necessárias (“abrindo mais as portas”) com novos cursos, novas
universidades com estruturas modernas, valorizando mais os professores, e que
os alunos interessados, assim que concluírem o ensino médio, ingressem em
níveis mais elevados (graduação), tanto na modalidade presencial quanto na
modalidade em EaD. Sabemos que esta realidade esta distante do almejado, pois o
investimento na educação ainda não é satisfatório, tanto economicamente, como
está sendo administrado este investimento por parte das autoridades competentes
governamentais.
7. CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Atendendo
ao nosso propósito inicial, realizamos uma breve investigação sobre a população
mais carente, classes sociais D e E, de ter a necessidade de uma educação atualizada
em conformidade ao atual mercado de trabalho, por parte não só dos estudantes
de nível médio, mas para qualquer um que esteja fora do mercado de trabalho. Do
ponto de vista, da modalidade educacional em graduação, podemos perceber que o
EaD consiste em uma necessidade e oportunidade para o estado de Pernambuco,
pois analisamos, em especial a carência na oferta de cursos por parte do
governo para a população de baixa renda.
Chegamos
à conclusão de que o essencial da questão na modalidade de ensino abordada
neste trabalho, o EaD para a população carente, é a democratização do acesso ao
conhecimento. Conhecimento que, por tanto tempo e em tantas sociedades, ficou
somente sob o domínio de uma minoria de favorecidos.
Podemos
perceber que a modalidade de ensino, Educação a Distância, muitas vezes
discriminada, por ignorância ou interesses é uma realidade, e é uma potente
ferramenta para a promoção de inclusão social e inclusão digital, em prol de
pessoas pertencentes, economicamente falando, a uma classe das minorias
discriminadas (pobres, desempregados, índios, mulheres, negros, idosos...),
enfim, de todos necessitados de todos os tipos de inclusão, de uma sociedade
carente de ajuda na área educacional.
Tivemos
a devida certeza de que a legislação educacional brasileira que ora está em vigor,
e as diversas pesquisas que vem sendo realizadas no país e no mundo, chegam ao
conhecimento de muitas pessoas por meio de inúmeros artigos publicados e os
apresentados em congressos e encontros de todas as áreas de conhecimento
envolvidas, assim como, educação, saúde, cidadania, tecnologias, etc. Muito já
foi feito, porém, temos muito ainda pra fazer, como acompanhar as mudanças na
nova legislação educacional e novos trabalhos (artigos, monografias,
seminários, palestras, convenções...) que surgirão a respeito do assunto, o
importante é não perdermos a consciência dos mais diversos interesses para a
construção de uma realidade, que é uma sociedade mais justa.
8. REFERÊNCIAS
ALMANAQUE
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BRASIL. Constituição Federal de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de
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BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília 23 de dezembro de
1996. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>.
Acesso em: 08 mar. 2013.
BRASIL, Decreto n.º 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, Regulamenta o art. 80 da Lei n.º 9.394, de 20
de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Diário Oficial [da] República
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BRASIL. Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta
o art. 80 da Lei no 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional
e revoga o decreto 2.494 de 10 de
fevereiro de 1998. Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil,
Brasília 20 de dezembro de 2005. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 08 mar. 2013.
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