sábado, 17 de novembro de 2018

Etimologia de "Pernambuco".


É controversa a origem do nome Pernambuco. O nome Pernambuco  provem do tupi-guarani “paranambuco”, ligação das palavras indígenas: para’nã, quer dizer, rio cauduloso, rio farto, “rio grande” ou “mar” e pu’ka (buka) que dizer ”buraco”, rebentar, furar, sendo seu significado o de “buraco no mar”, onde os índios usavam esse termo em relação aos navios que furavam a barreira de recifes. Esse significado para Pernambuco, “buraco no mar”, referia-se ao Canal de Santa Cruz na Ilha de Itamaracá ou à abertura existente nos arrecifes entre Olinda e o Recife.
Conforme afirmativas de outros estudiosos, essa designação era indicação da denominação nas línguas nativas indígenas locais da época do descobrimento referindo-se ao pau-brasil. Outra hipótese é que pode vim do tupi, paranãbuku, que quer dizer, “rio comprido”, uma provável menção ao rio das capivaras, o Capibaribe, já que os antigos mapas da época indicam um “rio Pernambuco” ao norte mais precisamente do Cabo de Santo Agostinho.
Porém, há uma recente hipótese, proposta pelo pesquisador Jacques Ribemboim, professor do Departamento Economia UFRPE, em seu mais novo livro, “Pernambuco de Fernão", que segundo a qual a origem da palavra seria da língua portuguesa: o Canal de Santa Cruz, no início do século XVI, era conhecido como "Boca de Fernão" onde Fernão de Noronha era o explorador de pau-brasil, e possivelmente os índios o chamavam de algo próximo a "Pernão Boca" ou "Pernambuka", que teria dado origem ao nome Pernambuco. Ele contesta a versão anterior de que a origem do nome Pernambuco esteve sempre ligada ao tupi onde os termos paranã e buka, que significaria “buraco no mar” ou “mar furado”, sendo a versão mais aceita por pesquisadores. O pesquisador afirma que a etimologia da palavra Pernambuco estaria ligada ao português, e não ao tupi.
Em seu livro, o pesquisador aborda a história do estado na primeira metade do século XVI, entre 1500 e 1550. Segundo ele, o Brasil foi alugado diretamente ao rei de Portugal, Dom Manuel I por Fernão de Noronha, para a exploração do pau-brasil. A madeira era e extraída e exportada para toda a Europa, sendo utilizada a mão-de-obra indígena na extração e transporte do produto até os navios que partiam para Portugal.
Segundo Ribemboim, da região, onde hoje se localiza o Canal de Santa Cruz, que divide os municípios de Igarassu e Itamaracá, na costa pernambucana, os navios embarcavam. A nova interpretação teria fundamento desse ponto.
O canal, na época, chamava-se Boca de Fernão. Na língua indígena, o fonema “f” era trocado por “p”, afirma o autor. Então Fernão, na língua oral nativa dos índios, era pronunciado como “Pernão”.
No tupi também há uma inversão de palavras, em que a coisa possuída é antecedida pelo possuidor, como acontece na língua inglesa. Como explicação, a expressão Boca de Fernão seria chamada de algo próximo a “Pernão Boca”, ou “Pernambuka”, portanto, na visão do pesquisador Ribemboim, seria a etimologia própria do nome Pernambuco.
Em seu livro o autor afirma ainda, que na época, os franceses mais numerosos que os portugueses, anotaram por muito tempo em seus mapas e documentos a grafia Fernambouc e o pau-brasil era conhecido por toda a Europa como "bois de fernambouc", isto é, "madeira de pernambuco".
Ribemboim contesta, com certa indignação, a respeito de versões dadas à origem da palavra Pernambuco fugindo do seu real conceito, podendo distorcer o verdadeiro sentido histórico como ele afirma em sua frase “Causa-me espanto que por cinco séculos os historiadores tenham adotado a versão tupi para a origem da palavra Pernambuco, quando muito provavelmente o termo deriva do português”,

Fontes: