Como foi o processo
de formação das sociedades coloniais inglesas na América do Norte e seu
processo de independência?
Ao falarmos do processo
de colonização inglesa que resultou na formação das Treze Colônias que hoje se
constitui os Estados Unidos da América, temos que analisar primeiramente a questão
histórica, situação política, social e econômica da Inglaterra como sua metrópole
para depois adentrarmos no contexto histórico do início de sua formação ao
processo de independência configurando uma importante Nação.
Inglaterra nos séculos XIV ao XVII
Entre
o século XIV ao século XVI, a Inglaterra vivenciava momentos de intensas
guerras e que buscava o estabelecimento do absolutismo, ou seja, buscava dar
seguimento ao processo de fortalecimento do poder real, com eventos marcantes
que foram fundamentais à formação do Estado Nacional Britânico. Eventos como:
Guerra dos Cem Anos, Guerras das Duas Rosas, Dinastia Tudor e a Dinastia
Stuart.
A
Inglaterra lutou contra a França entre 1337 e 1453, na questão do domínio da
região de Flandres na Guerra dos Cem Anos, pois essa era uma grande região
comercial e importante centro de manufaturas têxteis. A Inglaterra derrotada
enfraqueceu a monarquia e o exército provocando uma crise econômica.
Com
o fim da Guerra dos Cem Anos, ocorreu uma disputa entre 1455 e 1485 de duas
dinastias que ficou denominada Guerra das Duas Rosas, as famílias Lancaster e
York disputaram o trono inglês. Foi encerrada a disputa quando Henrique Tudor (dinastia
Lancaster) aliando-se à burguesia foi coroado rei Henrique VII. Esse monarca inaugurou o regime absolutista na Inglaterra com a dinastia
Tudor. Porém, o auge da Inglaterra ocorreu durante período do rei Henrique VIII
e da rainha Elizabeth I. Onde no período do governo de Henrique VIII ocorreu a
separação da Inglaterra com a Igreja Católica, surgindo a Igreja Anglicana e no
governo da rainha Elizabeth I o processo da Reforma Anglicana se consolidou.
A indústria têxtil na Inglaterra cresceu no
século XV e os mercados ganharam importâncias no cenário internacional. A
Inglaterra deu um avanço na metalurgia e na construção naval impulsionada com o
fim da economia medieval e com o início do período moderno na economia.
Iniciando a dinastia Stuart, após a morte de
Elizabeth I que não deixou herdeiro, Jaime VI ascendeu ao trono inglês em 1603.
Jaime I, nome assumido por Jaime VI com a união da Inglaterra e a Escócia. A
dinastia Stuart enfrentou uma crise política resultando em uma guerra civil o
que levou a execução de Carlos I em 1649. Essa dinastia foi marcada por
revoluções inglesas diminuindo o poder do reis ocasionando o aumento da autonomia
do Parlamento o que resultou em uma Monarquia Constitucional na Inglaterra que
vigora até nos dias atuais.
Durante os governos Stuart, ocorreu o processo
de cercamentos de terras comuns, mais minucioso e agressivo favorecendo o
crescimento urbano e contribuindo muito para o aumento da pobreza, motivo pelo
qual ocorreu a emigração de uma grande parte de pobres para a América.
As
chamadas “Revoluções Inglesas” foram um conjunto de movimento políticos
ocorridos na Inglaterra entre 1640 e 1688, sendo marcadas por dois momentos
principais: a Revolução Puritana entre os anos1640 a 1649 e a Revolução
Gloriosa em 1688. Podendo ser classificado como a “Primeira Revolução Burguesa”
da história do século XVIII esse processo contribuiu na consolidação do
Capitalismo. No século XVII foi um período
conturbado à Coroa Inglesa, pois, fornece concessão a duas empresas privadas as
das Companhias de Londres e de Plymouth para iniciarem a colonização da América
do Norte exercendo pouco controle sobre suas colônias. Embora essas companhias
tendo autonomia, estavam subordinadas ao estado Inglês.
As Treze Colônias e
seu processo de formação.
Iniciando
tardiamente, em relação à Portugal e à Espanha, o processo de colonização
inglesa na América, resultou na formação de pequenos povoados e que mais tarde
constituíram as treze colônias. A princípio foram identificados como os “pais
peregrinos” (pilgrim fathers), o Mayflower (navio que transportou peregrinos,
colonos ingleses para o Novo Mundo em 1620). Os peregrinos eram os puritanos
que fugiam de perseguições políticas na Inglaterra e que assinaram um pacto com
o Mayflower, documento que estabelecia regras de autogoverno, sendo essa a
primeira experiência no Novo Mundo. A colônia sobreviveu e posteriormente foi
reforçada com a chegada de novas famílias nos anos seguintes, por isso o
Mayflower é um dos símbolo dos primórdios da colonização dos Estado Unidos e
que os habitantes da Nova Inglaterra acreditam ser descendentes dos passageiros
desse navio.
O
Dia de Ação de Graças, também é considerado um episódio muito importante para a
formação dos Estados Unidos. Sua história inicia-se em 1621, na região do
Estado de Massachusetts. Estudos relatam que naquele ano alguns peregrinos europeus
não obtiveram sucesso nas colheitas no primeiro ano, especialmente por causa do
intenso inverno, ocasionando, mortes a alguns desses imigrantes pela falta de
alimentos e pelo frio. O Dia de Ação de Graças ou Thanksgiving Day surgiu como
forma de agradecimento pelo fato de os imigrantes terem tido sucesso nas
colheitas e nas caças. Os europeus realizaram festas durante três dias para
agradecer pelos ensinamentos dos povos Wampanoag (nativos) e serviu como as
bases sobre as quais a nação tinha sido edificada.
A
população das colônias crescia rápido, ocorrendo uma mistura de diversos tipos
de colonos entre eles aventureiros, órfãos, membros de seitas religiosas,
negros africanos, degredados, comerciantes, nobres, entre outros, sem contar
com os nativos, que mesmo, sendo perseguidos, ocorreu em algumas regiões união
entre indígenas e europeus. Como
o passar do tempo foram se constituindo as Treze Colônias que se tornaram os
Estados Unidos da América.
Aspectos econômicos, políticos, geográfico
As Treze Colônias tinham
características econômicas, políticas e geográficas distintas, variando de
acordo com cada região:
Na economia, as
colônias do Norte tinham uma atividade diversificada, com destaque para a
manufatura e o comércio. As colônias do Centro tinham uma mistura de
atividades econômicas e uma diversidade étnica. As colônias do Sul eram
agrícolas e dependentes de mão de obra escrava.
Foi desenvolvido um comércio triangular entre os
colonos ingleses, envolvendo as rotas das colônias do Norte e as do Sul entre as
Antilhas e a África, também
a Europa participava de relação comercial. Os principais produtos comercializados
eram o açúcar, o algodão, o tabaco, entre outros em troca de produtos
manufaturados. As Colônias do Sul eram mais interligadas com a Metrópole e exportava,
principalmente, tabaco e algodão, enquanto que, as Colônias do Norte eram mais
voltadas para a policultura e manufatura, vendendo, também, peles de animais e
pescado.
Na política,
a autonomia dos colonos era bastante acentuada política, social e
administrativa para tomar a maioria das decisões. Cada colônia tinha uma
Câmara ou Assembleia de representantes eleitos pela população local.
No
século XVIII, as mulheres das colônias dificilmente ficavam solteiras,
casando-se por volta dos 24 anos – bem mais tarde que as mulheres europeias do
período. Apesar dos elogios, as mulheres não tinham identidade legal. Sua vida
transcorria à sombra do pai e do marido. O divórcio foi escasso nas colônias. A
maior parte das mulheres casava-se uma única vez.
Na questão
geográfica, as
colônias do Norte tinham um clima temperado, semelhante ao europeu, e a
economia era baseada na policultura e no mercado interno. As colônias do
Sul tinham um clima subtropical, mais quente, e a economia era baseada na monocultura
de produtos como algodão, tabaco e arroz.
No
século XVIII, conforme dados demográficos ocorreu um grande crescimento da
população. Nas Treze Colônias habitavam cerca de 250 mil pessoas em 1700,
ocorrendo um crescimento de aproximadamente dois milhões e meio, no período de
sua Independência em 1776 por motivo do desenvolvimento natural da população e
de imigrações.
É
pertinente e de suma importância também lembrar que a escravidão africana foi
um fator preponderante à formação da nação estadunidense, pois no período entre
1619 e 1860, cerca de 400 mil negros foram levados para os Estados Unidos do
continente africano, chegando aproximadamente meio milhão de escravos ao fim da
época colonial.
As Treze Colônias eram controladas pela Inglaterra usando-as para obter
lucros e recursos minerais e vegetais. Mesmo com que as colônias inglesas,
tendo sido diferenciadas das colônias espanholas e portuguesas da América, com
uma certa autonomia política e administrativa, a política mercantilista da
Inglaterra fazia com que as colônias fossem uma fonte de lucro para a
metrópole.
Independência das Treze Colônias
Governadores eram nomeados pelo rei inglês para administrarem as
colônias. Era eleita uma assembleia pelos colonos para dar assessoria aos
governadores e que também ficava responsável pelo recolhimento de tributos.
Como já mencionado anteriormente, desde o início, as colônias inglesas
na América tiveram autonomia política e administrativa, se comparadas ao modelo
espanhol e português. Com isso gerou uma consciência nos colonos de que eles não precisavam
da Inglaterra para se desenvolver, perdurando mais tarde, com esse pensamento o
processo de Independência.
Principais
causas do processo da Independência
Ao longo
do século XVIII, ocorreu o processo de independência das Treze Colônias teve
como base as disputas territoriais entre os colonos ingleses e franceses. A Guerra dos Sete Anos sendo um conflito global que
ocorreu entre 1756 e 1763, que envolveram as principais potências europeias e
seus também suas colônias. Foi travada na Europa, América e Ásia, e é
considerada por muitos historiadores como o primeiro conflito mundial. Essa guerra elevou a crise financeira da Grã-Bretanha e
fez com que os britânicos aumentassem os impostos cobrados nas treze colônias a
fim de cobrir as despesas de guerra.
Os
colonos também tinham receio de que não ocorresse socorro por parte da metrópole
com relação aos ataques dos indígenas, o que acabou provocando um sentimento de
abandono.
Outro
motivo de suma importância à independência das treze Colônias foram as ideias
iluministas da Europa com sua mensagem de liberdade política, os colonos
entenderam que poderiam decretar sua independência.
Antecedentes
da Independência dos Estados Unidos
O
Parlamento inglês decidiu aumentar as taxas nas Treze Colônias para cobrir os custos
da Guerra dos Sete Anos (1756-1763). Os colonos ainda teriam que arcar com a
construção de fortes, manter os soldados deslocados para o território americano
e foram proibidos de atravessar os Montes Apalaches.
O primeiro-ministro,
George Grenville, enviou uma força militar de 10 mil homens, para a América. Uma
parte das despesas seria custeada pela criação de dois novos impostos: a Lei do
Açúcar (Sugar Act)
e a Lei do Selo (Stamp Act).
Na Lei
do Açúcar (1764) estavam estabelecidas novas taxas alfandegárias sobre grandes
quantidades deste produto. No ano seguinte, foi aprovada a Lei do Selo, que
obrigava o uso de uma estampa em documentos, livros, jornais, baralhos etc. sendo
impopular ocorreram protestos, que o governo inglês a revogou.
Em
1767, foram cobradas taxas sobre vidros, papéis, tintas e também a Lei do Chá (Tea Act), que concedia o
domínio do comércio de chá à Companhia das Índias Ocidentais, iniciando a crise
entre a metrópole e os colonos.
Os
colonos descontentes argumentaram que as leis eram ilegais. Eles se
consideravam parte do Reino, mas não tinham representantes no Parlamento na
metrópole. Eles criam um slogan demonstrando sentimento de insatisfação “no taxation without representation”
(nenhuma tributação sem representação) sendo, a reclamação ignorada pelos
ingleses.
No ano
de 1770, ocorreu uma briga entre colonos e soldados ingleses que terminou com a
morte de cinco colonos americanos, esse episódio ficou conhecido como o
Massacre de Boston. Rapidamente esse fato se tornou em um ato de propaganda
contra os ingleses e animou os colonos que desejaram ainda mais a separação da
Inglaterra.
Após três
anos, em dezembro de 1773, vários colonos como protesto pela Lei do Chá, invadiram
navios que estavam ancorados no porto de Boston e jogaram o carregamento de chá
ao mar. Esse episódio ficou conhecido como “Festa do Chá de Boston”.
A
Inglaterra em represália, no ano seguinte, decretou os Atos Intoleráveis (ou
Leis Intoleráveis), que atingiam, especialmente, os habitantes de Massachustes.
Nos Atos Intoleráveis foi fechado o porto de Boston até que os colonos indenizassem
pelo chá destruído. Foram também proibidas reuniões e manifestações públicas
contra o rei da Inglaterra, entre outros, aumentando ainda mais o desejo de
separação nos colonos de sua Metrópole.
Guerra
de Independência dos Estados Unidos
As Leis
Intoleráveis tornaram os colonos mais indignados e reuniram doze colônias (exceção da Geórgia) no Primeiro Congresso Continental da
Filadélfia, realizado em setembro de 1774, decidindo enviar ao
governo inglês um pedido para que os Atos Intoleráveis fossem revogados. A Inglaterra
reagiu negativamente e ingleses e colonos se enfrentaram nas batalhas de
Lexington e Concord.
Em 1775,
devido as hostilidades, os delegados dos estados, agora com participação da
Geórgia, voltaram a se reunir no Segundo
Congresso Continental da Filadélfia declarando guerra à
Inglaterra.
Na ocasião,
George Washington foi nomeado comandante das forças americanas e Thomas
Jefferson ficou encarregado de redigir a Declaração de Independência. Esta foi
aprovada no dia 4 de julho de 1776, colocando fim à dominação da Inglaterra no
território americano, data que se comemora a Independência dos Estados Unidos.
Porém, a
Inglaterra enviou milhares de soldados para recuperar a região e o conflito se intensificou
e estendendo-se até 1783. Os colonos durante a luta pela Independência,
contaram com a ajuda militar da Espanha, Holanda e França. A Inglaterra sendo derrotada
e reconheceu a independência dos Estados Unidos através do Tratado de Paris, em
1783.
Consequências
da Revolução Americana
Os
Estados Unidos separaram da Inglaterra pela Revolução Americana e inspiraria
movimentos como Revolução Francesa e independências das colônias da América
Latina. Foi a primeira vez que colocaram em prática os princípios do
Iluminismo, como a separação de poderes, a garantia à liberdade individual e à
igualdade social.
E
depois da independência, os estadunidenses iniciaram a expansão para o Oeste
onde chocariam com os espanhóis, os nativos americanos e a questão da
escravidão.
Vale ressaltar que o processo de
formação do novo país foi longo e complexo do que nos é relatado por alguns
historiadores, onde envolve vários contextos históricos, que não são todos
mencionados quando é tratado como uma síntese dos fatos ocorridos.
O primeiro modelo de instituição
governamental surgiu em 1781, foi elaborada uma Confederação que agrupava os
treze Estados sem que houvesse um poder central sendo destacado embate entre os
“federalistas” e os “antifederalistas”. Somente com a Constituição promulgada
em 1787 é que se definiu com o nome de Estados Unidos da América sob o regime de república presidencialista.
Contudo,
devemos refletir numa importante questão, que ora é debatido e questionado por
muitos, o sistema político dos Estados Unidos da América. Esse sistema “foi
concebido para impedir a criação de um sistema baseado no voto direto do
cidadão”? “Foi pensado para impor limites a democracia estadunidense...”?
Referências
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Acesso em 26 de novembro de 2024.
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8. Renato, Lucio, Slides, Parfor Aula 8 A Formação das
Treze Colônia Inglesas na América.
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