quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

A formação das sociedades coloniais inglesas na América do Norte e o processo de independência

Como foi o processo de formação das sociedades coloniais inglesas na América do Norte e seu processo de independência?

 

Ao falarmos do processo de colonização inglesa que resultou na formação das Treze Colônias que hoje se constitui os Estados Unidos da América, temos que analisar primeiramente a questão histórica, situação política, social e econômica da Inglaterra como sua metrópole para depois adentrarmos no contexto histórico do início de sua formação ao processo de independência configurando uma importante Nação.  

Inglaterra nos séculos XIV ao XVII

Entre o século XIV ao século XVI, a Inglaterra vivenciava momentos de intensas guerras e que buscava o estabelecimento do absolutismo, ou seja, buscava dar seguimento ao processo de fortalecimento do poder real, com eventos marcantes que foram fundamentais à formação do Estado Nacional Britânico. Eventos como: Guerra dos Cem Anos, Guerras das Duas Rosas, Dinastia Tudor e a Dinastia Stuart. 

A Inglaterra lutou contra a França entre 1337 e 1453, na questão do domínio da região de Flandres na Guerra dos Cem Anos, pois essa era uma grande região comercial e importante centro de manufaturas têxteis. A Inglaterra derrotada enfraqueceu a monarquia e o exército provocando uma crise econômica.

Com o fim da Guerra dos Cem Anos, ocorreu uma disputa entre 1455 e 1485 de duas dinastias que ficou denominada Guerra das Duas Rosas, as famílias Lancaster e York disputaram o trono inglês. Foi encerrada a disputa quando Henrique Tudor (dinastia Lancaster) aliando-se à burguesia foi coroado rei Henrique VII. Esse monarca inaugurou o regime absolutista na Inglaterra com a dinastia Tudor. Porém, o auge da Inglaterra ocorreu durante período do rei Henrique VIII e da rainha Elizabeth I. Onde no período do governo de Henrique VIII ocorreu a separação da Inglaterra com a Igreja Católica, surgindo a Igreja Anglicana e no governo da rainha Elizabeth I o processo da Reforma Anglicana se consolidou.

A indústria têxtil na Inglaterra cresceu no século XV e os mercados ganharam importâncias no cenário internacional. A Inglaterra deu um avanço na metalurgia e na construção naval impulsionada com o fim da economia medieval e com o início do período moderno na economia.

Iniciando a dinastia Stuart, após a morte de Elizabeth I que não deixou herdeiro, Jaime VI ascendeu ao trono inglês em 1603. Jaime I, nome assumido por Jaime VI com a união da Inglaterra e a Escócia. A dinastia Stuart enfrentou uma crise política resultando em uma guerra civil o que levou a execução de Carlos I em 1649. Essa dinastia foi marcada por revoluções inglesas diminuindo o poder do reis ocasionando o aumento da autonomia do Parlamento o que resultou em uma Monarquia Constitucional na Inglaterra que vigora até nos dias atuais.

Durante os governos Stuart, ocorreu o processo de cercamentos de terras comuns, mais minucioso e agressivo favorecendo o crescimento urbano e contribuindo muito para o aumento da pobreza, motivo pelo qual ocorreu a emigração de uma grande parte de pobres para a América.

            As chamadas “Revoluções Inglesas” foram um conjunto de movimento políticos ocorridos na Inglaterra entre 1640 e 1688, sendo marcadas por dois momentos principais: a Revolução Puritana entre os anos1640 a 1649 e a Revolução Gloriosa em 1688. Podendo ser classificado como a “Primeira Revolução Burguesa” da história do século XVIII esse processo contribuiu na consolidação do Capitalismo. No século XVII foi um período conturbado à Coroa Inglesa, pois, fornece concessão a duas empresas privadas as das Companhias de Londres e de Plymouth para iniciarem a colonização da América do Norte exercendo pouco controle sobre suas colônias. Embora essas companhias tendo autonomia, estavam subordinadas ao estado Inglês.

 

As Treze Colônias e seu processo de formação.

 

Iniciando tardiamente, em relação à Portugal e à Espanha, o processo de colonização inglesa na América, resultou na formação de pequenos povoados e que mais tarde constituíram as treze colônias. A princípio foram identificados como os “pais peregrinos” (pilgrim fathers), o Mayflower (navio que transportou peregrinos, colonos ingleses para o Novo Mundo em 1620). Os peregrinos eram os puritanos que fugiam de perseguições políticas na Inglaterra e que assinaram um pacto com o Mayflower, documento que estabelecia regras de autogoverno, sendo essa a primeira experiência no Novo Mundo. A colônia sobreviveu e posteriormente foi reforçada com a chegada de novas famílias nos anos seguintes, por isso o Mayflower é um dos símbolo dos primórdios da colonização dos Estado Unidos e que os habitantes da Nova Inglaterra acreditam ser descendentes dos passageiros desse navio.

O Dia de Ação de Graças, também é considerado um episódio muito importante para a formação dos Estados Unidos. Sua história inicia-se em 1621, na região do Estado de Massachusetts. Estudos relatam que naquele ano alguns peregrinos europeus não obtiveram sucesso nas colheitas no primeiro ano, especialmente por causa do intenso inverno, ocasionando, mortes a alguns desses imigrantes pela falta de alimentos e pelo frio. O Dia de Ação de Graças ou Thanksgiving Day surgiu como forma de agradecimento pelo fato de os imigrantes terem tido sucesso nas colheitas e nas caças. Os europeus realizaram festas durante três dias para agradecer pelos ensinamentos dos povos Wampanoag (nativos) e serviu como as bases sobre as quais a nação tinha sido edificada.

A população das colônias crescia rápido, ocorrendo uma mistura de diversos tipos de colonos entre eles aventureiros, órfãos, membros de seitas religiosas, negros africanos, degredados, comerciantes, nobres, entre outros, sem contar com os nativos, que mesmo, sendo perseguidos, ocorreu em algumas regiões união entre indígenas e europeus. Como o passar do tempo foram se constituindo as Treze Colônias que se tornaram os Estados Unidos da América.

 

Aspectos econômicos, políticos, geográfico

As Treze Colônias tinham características econômicas, políticas e geográficas distintas, variando de acordo com cada região: 

Na economia, as colônias do Norte tinham uma atividade diversificada, com destaque para a manufatura e o comércio. As colônias do Centro tinham uma mistura de atividades econômicas e uma diversidade étnica. As colônias do Sul eram agrícolas e dependentes de mão de obra escrava. 

Foi desenvolvido um comércio triangular entre os colonos ingleses, envolvendo as rotas das colônias do Norte e as do Sul entre as Antilhas e a África, também a Europa participava de relação comercial. Os principais produtos comercializados eram o açúcar, o algodão, o tabaco, entre outros em troca de produtos manufaturados. As Colônias do Sul eram mais interligadas com a Metrópole e exportava, principalmente, tabaco e algodão, enquanto que, as Colônias do Norte eram mais voltadas para a policultura e manufatura, vendendo, também, peles de animais e pescado.

Na política, a autonomia dos colonos era bastante acentuada política, social e administrativa para tomar a maioria das decisões. Cada colônia tinha uma Câmara ou Assembleia de representantes eleitos pela população local. 

No século XVIII, as mulheres das colônias dificilmente ficavam solteiras, casando-se por volta dos 24 anos – bem mais tarde que as mulheres europeias do período. Apesar dos elogios, as mulheres não tinham identidade legal. Sua vida transcorria à sombra do pai e do marido. O divórcio foi escasso nas colônias. A maior parte das mulheres casava-se uma única vez.

Na questão geográfica, as colônias do Norte tinham um clima temperado, semelhante ao europeu, e a economia era baseada na policultura e no mercado interno. As colônias do Sul tinham um clima subtropical, mais quente, e a economia era baseada na monocultura de produtos como algodão, tabaco e arroz. 

No século XVIII, conforme dados demográficos ocorreu um grande crescimento da população. Nas Treze Colônias habitavam cerca de 250 mil pessoas em 1700, ocorrendo um crescimento de aproximadamente dois milhões e meio, no período de sua Independência em 1776 por motivo do desenvolvimento natural da população e de imigrações.

É pertinente e de suma importância também lembrar que a escravidão africana foi um fator preponderante à formação da nação estadunidense, pois no período entre 1619 e 1860, cerca de 400 mil negros foram levados para os Estados Unidos do continente africano, chegando aproximadamente meio milhão de escravos ao fim da época colonial.

As Treze Colônias eram controladas pela Inglaterra usando-as para obter lucros e recursos minerais e vegetais. Mesmo com que as colônias inglesas, tendo sido diferenciadas das colônias espanholas e portuguesas da América, com uma certa autonomia política e administrativa, a política mercantilista da Inglaterra fazia com que as colônias fossem uma fonte de lucro para a metrópole.

 

Independência das Treze Colônias

Governadores eram nomeados pelo rei inglês para administrarem as colônias. Era eleita uma assembleia pelos colonos para dar assessoria aos governadores e que também ficava responsável pelo recolhimento de tributos.

Como já mencionado anteriormente, desde o início, as colônias inglesas na América tiveram autonomia política e administrativa, se comparadas ao modelo espanhol e português. Com isso gerou uma consciência nos colonos de que eles não precisavam da Inglaterra para se desenvolver, perdurando mais tarde, com esse pensamento o processo de Independência.

 

Principais causas do processo da Independência

 

Ao longo do século XVIII, ocorreu o processo de independência das Treze Colônias teve como base as disputas territoriais entre os colonos ingleses e franceses. A Guerra dos Sete Anos sendo um conflito global que ocorreu entre 1756 e 1763, que envolveram as principais potências europeias e seus também suas colônias. Foi travada na Europa, América e Ásia, e é considerada por muitos historiadores como o primeiro conflito mundial. Essa guerra elevou a crise financeira da Grã-Bretanha e fez com que os britânicos aumentassem os impostos cobrados nas treze colônias a fim de cobrir as despesas de guerra.

Os colonos também tinham receio de que não ocorresse socorro por parte da metrópole com relação aos ataques dos indígenas, o que acabou provocando um sentimento de abandono.

Outro motivo de suma importância à independência das treze Colônias foram as ideias iluministas da Europa com sua mensagem de liberdade política, os colonos entenderam que poderiam decretar sua independência.

 

Antecedentes da Independência dos Estados Unidos

 

O Parlamento inglês decidiu aumentar as taxas nas Treze Colônias para cobrir os custos da Guerra dos Sete Anos (1756-1763). Os colonos ainda teriam que arcar com a construção de fortes, manter os soldados deslocados para o território americano e foram proibidos de atravessar os Montes Apalaches.

O primeiro-ministro, George Grenville, enviou uma força militar de 10 mil homens, para a América. Uma parte das despesas seria custeada pela criação de dois novos impostos: a Lei do Açúcar (Sugar Act) e a Lei do Selo (Stamp Act).

Na Lei do Açúcar (1764) estavam estabelecidas novas taxas alfandegárias sobre grandes quantidades deste produto. No ano seguinte, foi aprovada a Lei do Selo, que obrigava o uso de uma estampa em documentos, livros, jornais, baralhos etc. sendo impopular ocorreram protestos, que o governo inglês a revogou.

Em 1767, foram cobradas taxas sobre vidros, papéis, tintas e também a Lei do Chá (Tea Act), que concedia o domínio do comércio de chá à Companhia das Índias Ocidentais, iniciando a crise entre a metrópole e os colonos.

Os colonos descontentes argumentaram que as leis eram ilegais. Eles se consideravam parte do Reino, mas não tinham representantes no Parlamento na metrópole. Eles criam um slogan demonstrando sentimento de insatisfação “no taxation without representation” (nenhuma tributação sem representação) sendo, a reclamação ignorada pelos ingleses.

No ano de 1770, ocorreu uma briga entre colonos e soldados ingleses que terminou com a morte de cinco colonos americanos, esse episódio ficou conhecido como o Massacre de Boston. Rapidamente esse fato se tornou em um ato de propaganda contra os ingleses e animou os colonos que desejaram ainda mais a separação da Inglaterra.

Após três anos, em dezembro de 1773, vários colonos como protesto pela Lei do Chá, invadiram navios que estavam ancorados no porto de Boston e jogaram o carregamento de chá ao mar. Esse episódio ficou conhecido como “Festa do Chá de Boston”.

A Inglaterra em represália, no ano seguinte, decretou os Atos Intoleráveis (ou Leis Intoleráveis), que atingiam, especialmente, os habitantes de Massachustes. Nos Atos Intoleráveis foi fechado o porto de Boston até que os colonos indenizassem pelo chá destruído. Foram também proibidas reuniões e manifestações públicas contra o rei da Inglaterra, entre outros, aumentando ainda mais o desejo de separação nos colonos de sua Metrópole.

 

Guerra de Independência dos Estados Unidos

 

As Leis Intoleráveis tornaram os colonos mais indignados e reuniram doze colônias (exceção da Geórgia) no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia, realizado em setembro de 1774, decidindo enviar ao governo inglês um pedido para que os Atos Intoleráveis fossem revogados. A Inglaterra reagiu negativamente e ingleses e colonos se enfrentaram nas batalhas de Lexington e Concord.

Em 1775, devido as hostilidades, os delegados dos estados, agora com participação da Geórgia, voltaram a se reunir no Segundo Congresso Continental da Filadélfia declarando guerra à Inglaterra.

Na ocasião, George Washington foi nomeado comandante das forças americanas e Thomas Jefferson ficou encarregado de redigir a Declaração de Independência. Esta foi aprovada no dia 4 de julho de 1776, colocando fim à dominação da Inglaterra no território americano, data que se comemora a Independência dos Estados Unidos.

Porém, a Inglaterra enviou milhares de soldados para recuperar a região e o conflito se intensificou e estendendo-se até 1783. Os colonos durante a luta pela Independência, contaram com a ajuda militar da Espanha, Holanda e França. A Inglaterra sendo derrotada e reconheceu a independência dos Estados Unidos através do Tratado de Paris, em 1783.

 

Consequências da Revolução Americana

 

Os Estados Unidos separaram da Inglaterra pela Revolução Americana e inspiraria movimentos como Revolução Francesa e independências das colônias da América Latina. Foi a primeira vez que colocaram em prática os princípios do Iluminismo, como a separação de poderes, a garantia à liberdade individual e à igualdade social.

E depois da independência, os estadunidenses iniciaram a expansão para o Oeste onde chocariam com os espanhóis, os nativos americanos e a questão da escravidão.

            Vale ressaltar que o processo de formação do novo país foi longo e complexo do que nos é relatado por alguns historiadores, onde envolve vários contextos históricos, que não são todos mencionados quando é tratado como uma síntese dos fatos ocorridos.

O primeiro modelo de instituição governamental surgiu em 1781, foi elaborada uma Confederação que agrupava os treze Estados sem que houvesse um poder central sendo destacado embate entre os “federalistas” e os “antifederalistas”. Somente com a Constituição promulgada em 1787 é que se definiu com o nome de Estados Unidos da América sob o regime de república presidencialista.  

Contudo, devemos refletir numa importante questão, que ora é debatido e questionado por muitos, o sistema político dos Estados Unidos da América. Esse sistema “foi concebido para impedir a criação de um sistema baseado no voto direto do cidadão”? “Foi pensado para impor limites a democracia estadunidense...”?

 

Referências bibliográficas:

1.    Rogers, Clifford J. (2010). The Oxford Encyclopedia of Medieval Warfare and Military Technology (em inglês). Oxford: Oxford University Press. p. 105

2.   Cortés, Carlos E. (2013). Multicultural America: A Multimedia Encyclopedia (em inglês). Thousand Oaks: SAGE Publications. p. 884

3.   Sousa, Rainer Gonçalves , Escritor oficial Brasil Escola.

4.   Sousa, Rainer Gonçalves. "Formação da Monarquia Nacional Britânica"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/formacao-estado-nacional-britanico.htm. Acesso em 25 de novembro de 2024.

5.   Cardoso, Vanessa Clemente. "Revolução Inglesa"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao-inglesa.htm. Acesso em 26 de novembro de 2024.

6.   Tancredi, Silvia. "Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day)"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-de-acao-de-gracas-thanksgiving-day.htm. Acesso em 26 de novembro de 2024.

7.   Bezerra, Juliana. Independência dos Estados Unidos (1776). Toda Matéria[s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/independencia-dos-estados-unidos/. Acesso em: 26 nov. 2024.

8.   Renato, Lucio, Slides, Parfor Aula 8 A Formação das Treze Colônia Inglesas na América.


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