terça-feira, 24 de março de 2020

A Primeira República

Tópicos principais

  • A República Velha é chamada pelos historiadores de Primeira República. 
  • Foi iniciado com a Proclamação da República, que fez com que Deodoro da Fonseca assumisse a presidência. 
  • De 1889 a 1894 é o período também conhecido como República da Espada. 
  • A República Velha contou, ao todo, com treze presidentes e com outros dois que não puderam assumir a presidência. 
  • O mandonismo, clientelismo e coronelismo são características importantes desse período. 
  • A política dos governadores e a política do café com leite foram práticas importantes do arranjo político das oligarquias. 
  • O Brasil experimentou um avanço industrial embrionário nesse período, que resultou no nascimento do movimento operário no país. 
  • A desigualdade social e a política corrupta desse período motivaram revoltas em diversas partes do país. 
  • A Revolução de 1930 foi o acontecimento que precipitou o fim desse período e inaugurou a Era Vargas.


Primeira República 

Expressão que ficou conhecida o período da história do Brasil que se iniciou em 1889, com a Proclamação da República estendendo-se até 1930, com a Revolução de 1930. Conhecido também como República Oligárquica ou República Velha, pois, ficou marcado pelo domínio das oligarquias na política brasileira. Segundo os historiadores a República Velha é dividida períodos.
  • "República da Espada" - dominado pelos setores mobilizados do Exército apoiados pelos republicanos. 
  • Proclamação da República do Brasil, em 15 de Novembro de 1889, 
  • Posse do primeiro presidente civil, Prudente de Moraes. A República da Espada teve viés mais centralizador do poder, em especial por temores da volta da Monarquia, bem como para evitar uma possível divisão do Brasil. 
  • "República Oligárquica" - estendeu-se de 1894 até a Revolução de 1930. Caracterizada pelas elites regionais por obterem maior poder, com destaque ao sudeste do país. As oligarquias que dominavam eram as forças políticas republicanas de São Paulo e Minas Gerais, que se alternavam na presidência. 
A expressão "política do café" com leite foi exatamente a hegemonia oligárquica da influência do setor agrário paulista — com grande produção de café — e do setor agrário mineiro — produtor de leite —, que não deram oportunidades à ocupação do principal cargo do Poder Executivo por representantes dos interesses de outros estados economicamente importantes à época, como Rio Grande do Sul e Pernambuco.
Foi caracterizada ainda pelo autoritarismo, desigualdade social e jogo político das oligarquias. Por conta disso, esse período ficou muito marcado pelas tensões sociais existentes, que ocasionaram inúmeras revoltas, como a Revolta da Vacina e a Revolta da Chibata. 
O fim da República Velha ocorreu quando o presidente Washington Luís foi deposto pelas tropas que deram início à Revolução de 1930. Essa revolução foi a responsável por colocar Getúlio Vargas na presidência do Brasil.

Fases da República Velha 

A República Velha ou Primeira República é oficialmente iniciada em 1889 e finalizada em 1930. É importante frisar que alguns historiadores organizam esse período de outra maneira. 
Eles estabelecem: 
  • Início da Primeira República no ano de 1894 e o fim em 1930. 
  • O período anterior (1889-1894) é nomeado de República da Espada e engloba apenas os dois primeiros governos da República brasileira. 
Considerando o período 1889-1930 como parte integral da Primeira República, a República da Espada (1889-1894) é uma subdivisão.

A respeito dos mais de 40 anos da Primeira República, o período pode ser organizado conforme estabelece o historiador Marcos Napolitano: 

  • Consolidação (1889-1898): as instituições políticas da República estavam consolidando-se, como práticas e sistema de governo; 
  • Institucionalização (1898-1921): marca o auge da Primeira República e se estabeleceram as práticas políticas que foram a marca dessa fase da história brasileira; 
  • Crise (1921-1930): o equilíbrio da política oligárquica foi alterado com a entrada de novos políticos no senário nacional. 
Presidentes da República Velha

No Brasil a Primeira República contou com quinze presidentes. 
  • Treze presidentes que tomaram posse do cargo. 
  1. Deodoro da Fonseca (1889-1891); 
  2. Floriano Peixoto (1891-1894); 
  3. Prudente de Morais (1894-1898); 
  4. Campos Sales (1898-1902); 
  5. Rodrigues Alves (1902-1906);
  6. Afonso Pena (1906-1909); 
  7. Nilo Peçanha (1909-1910); 
  8. Hermes da Fonseca (1910-1914); 
  9. Venceslau Brás (1914-1918); 
  10. Delfim Moreira (1918-1919); 
  11. Epitácio Pessoa (1919-1922); 
  12. Artur Bernardes (1922-1926); 
  13. Washington Luís (1926-1930).
  • Dois que não assumiram. 
  1. Rodrigues Alves, eleito para um segundo mandato em 1918, mas faleceu antes de assumir em decorrência da gripe espanhola, seu vice, Delfim Moreira, assumiu até que nova eleição fosse marcada. 
  2. Júlio Prestes, eleito na eleição de 1930 mas foi impedido de assumir após a Revolução de 1930 – evento que marcou o fim desta fase conhecida como Primeira República. Os presidentes desse período foram: 


Características da República 

Velha A característica principal da República Velha na política brasileira tem como o controle das oligarquias. Conforme Boris Fausto a respeito das oligarquias desse período, nos diz: “Oligarquia é uma palavra grega que significa governo de poucas pessoas, pertencentes a uma classe ou uma família. De fato, embora a aparência de organização do país fosse liberal, na prática o poder foi controlado por um reduzido grupo de políticos de cada estado”. 
As oligarquias controlavam a política brasileira valendo-se de algumas práticas conhecidas em nosso país: 
  • Coronelismo: prática comum da Primeira República em que os coronéis (os grandes proprietários de terra) exerciam domínio sobre as populações locais e utilizavam desses poderes para garantir os votos necessários e, assim, atender os interesses da oligarquia estabelecida e, consequentemente, do Governo Federal. O coronel garantia esses votos a partir da distribuição dos cargos públicos (todos sob seu controle) da maneira como lhe interessasse.
  • Mandonismo: controle sobre determinado grupo de pessoas a partir da posse da terra. Os grandes proprietários de terra exerciam forte influências sobre a população em geral. 
  • Clientelismo: prática de troca de favores entre as classes sociais politicamente desiguais. Não há necessidade de existir a figura do coronel, uma vez que essa prática pode acontecer em diversas instâncias da sociedade. Nela, todo favor concedido em troca de algo (cargo público, isenção fiscal etc.) dado por um ente político superior que cria uma relação de clientelismo com aquele que recebe o benefício. 
  • Considera-se também que outras práticas muito conhecidas da política da Primeira República eram a “política dos governadores”, que é chamada de “política dos estados”, e a “política do café com leite”. Oligarquias da Primeira República Charge das oligarquias da Primeira República Os coronéis da Primeira República.


Política dos governadores

Surgindo durante o governo de Campos Sales (1898-1902) a “política dos governadores”, basicamente deu o tom do funcionamento de nossa política durante toda a Primeira República. 

O Governo Federal, na política dos governadores, dava seu apoio para a oligarquia mais poderosa de cada estado reduzindo as disputas pelo poder entre as oligarquias locais. 
As oligarquias escolhidas tinham como função apoiar o Executivo a partir de seus representantes no Legislativo, como forma de retribuir o apoio recebido. 

A figura do coronel era essencial, nessa relação, pois era ele que fazia todo o arranjo para mobilizar os votos necessários e eleger os deputados da oligarquia apoiada pelo governo. 

O coronel era o poder local e, para alcançar seus objetivos, fazia uso da distribuição de cargos e da intimidação dos eleitores, porque o voto na Primeira República era aberto e não secreto. Essa intimidação ficou conhecida como “voto de cabresto”. Além do voto de cabresto, as oligarquias também se utilizavam da manipulação das atas eleitorais para garantir a vitória de seus candidatos de interesse.

Política do café com leite

A política do café com leite é um conceito clássico utilizado em referência ao acordo existente entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais a respeito da escolha dos presidentes. 
As duas oligarquias tinham um acordo de revezamento dos candidatos que concorreriam à presidência do Brasil. Esse conceito, no entanto, não abrange todo o período, já que por vezes as duas oligarquias entraram em choque entre si, além de ter havido casos em que representantes de outras oligarquias foram eleitos.

Características socioeconômicas República Velha 

Durante a Primeira República, o Brasil começou a sofrer algumas transformações importantes com relação às questões socioeconômicas. 

Na economia, esboçou-se um desenvolvimento industrial no Brasil, mas que acabou não sendo muito expressivo, o que acarretou em uma sociedade desprovida e carente.
  • A economia brasileira desse período permaneceu com grande dependência da exportação do café (e permaneceu assim até a década de 1950), o que acabou atrasando a industrialização no país. 
  • Como consequência desse lento desenvolvimento industrial, despontou com maior expressividade na década de 1910 o movimento operário, ocasionando em greves nesse período.
  • Um crescimento urbano considerável marcou os anos da Primeira República no Brasil. O país continuava com maioria da população nas zonas rurais, mas o crescimento foi constante e era um princípio de uma forte urbanização que ocorreria nas próximas décadas. 
Revoltas da República Velha

Marcada pelo desrespeito aos direitos sociais, a Primeira República foi reflexo direto de diversas revoltas que aconteceram durante esse período. 
As revoltas resultavam em divergências políticas e em insatisfação da população com a pobreza e a desigualdade social. 
As principais revoltas foram: Guerra de Canudos, Revolta da Armada, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata, Guerra do Contestado, Revolta do Forte de Copacabana, Revolta Paulista de 1924, Coluna Prestes.

Fim da República Velha 

Por motivo de arranjo político existente entre as oligarquias quando começou a ruir a Primeira República entrou em crise na década de 1920 e também as divisões existentes começaram a se sobressair às tentativas de conciliação. 

Um movimento chamado de tenentismo começou a surgir, que tinha finalidade se opor ao governo. Esse movimento de oposição formado por jovens oficiais do Exército, também estremeceu as bases da política desse período. 
O movimento tenentista surgiu nos quartéis espalhados em todo território nacional a partir da década de 1920. 
O tenentismo foi um movimento social de caráter político-militar e uma série de rebelião de jovens oficiais de baixa e média patente do Exército Brasileiro (tenentes) descontentes com a situação política do Brasil. Esse movimento ocorreu no Brasil nas décadas de 1920 e 1930, período conhecido como República das Oligarquias.

Com a eleição presidencial de 1930 a crise política chegou ao auge. 
Os paulistas lançaram Júlio Prestes, e as desarmonias oligárquicas formada por mineiros, gaúchos e paraibanos lançaram Getúlio Vargas na chapa Aliança Liberal para a disputa. 
Com a desestrutura da oligarquia Vargas perdeu as eleições para Júlio Prestes. Mesmo com a derrota Vargas assumiu o governo em consequência do assassinato de seu vice João Pessoa em Recife (motivos mesmo não relacionados com a disputa eleitoral), os membros da Aliança Liberal rebelaram-se e iniciaram uma revolta em outubro de 1930. 
Dessa revolta resultou na deposição do presidente Washington Luís e a proibição da posse de Júlio Prestes. Vargas foi escolhido como presidente do Brasil em novembro de 1930. Esse evento ficou conhecido como Revolução de 1930 e foi estabelecido como o marco que encerrou a Primeira República.





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